Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 24/05/2020

Promulgada pela ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os cidadãos o direito à educação e ao bem-estar social. Conquanto, o analfabetismo funcional impossibilita que uma parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Para entender a relevância desse estigma, é fundamental compreender os fatores primordiais da problemática, bem como seus efeitos prejudiciais no contexto social. Nessa perspectiva, essas adversidades devem ser superadas de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a ausência de políticas públicas, assim como a educação de baixa qualidade ofertada no país são pilares fundamentais no analfabetismo funcional brasileiro. De acordo com o filósofo iluminista Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Desse modo, pode-se aferir que o ensino é fundamental à formação sociopolítica da população, acrescentando a capacidade argumentativa e interpretativa do cidadão, além de corroborar para uma sociedade mais crítica e alfabetizada. Dessa maneira, a qualidade educacional deve ser um dos principais focos na gestão nacional para resolver esse impasse.

Faz-se mister, ainda, salientar as consequências tangentes à vida social dos indivíduos que apresentam o analfabetismo funcional. A falta de inclusão social e a empregabilidade exemplificam implicações diretas ao cotidiano dos indivíduos marcados por esse estado de incapacidade. Os danos, entretanto, não são limitados e estendem-se ao corpo social, afetando a produtividade laboral do país, conforme o levantamento realizado pelo Indicador de Analfabetismo Funcional, em que a improdutividade gerada pela deficiência básica dos funcionários acarretou no prejuízo de 6 bilhões de dólares. Diante do descrito, é um equívoco não considerar a imperativa ação para mitigar esse estorvo.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir uma redução no analfabetismo funcional no país. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação, em junção com as instituições de ensino, por meio de verbas governamentais, deve investir em metodologias que priorizem a interpretação, o raciocínio, o letramento e a aplicabilidade das disciplinas escolares no cotidiano, com o fito de aplicar os conhecimentos aprendidos e desenvolver a criticidade. Ademais, cabe também ao governo, por intermédio de palestras e grupos de estudos, criar projetos educacionais com o objetivo de aumentar a frequência de leitura nas escolas, com o objetivo de construir uma cultura de alfabetização e argumentação. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do analfabetismo funcional, e a sociedade alcançará a máxima Kantiana.