Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 07/06/2020
Em 1988, Ulisses Guimarães promulgou a Carta Magna e estabeleceu - no artigo 6º dessa - a educação como um direito social que deveria ser garantido a todos. Entretanto, o elevado índice analfabetismo funcional mostra que a premissa de Guimarães está distante de ser tornar realidade na sociedade contemporânea. Com efeito, configuram-se como alternativas viáveis para reduzir esse problema: ampliar o acesso ao ensino de qualidade e reformular a metodologia de ensino nas escolas. Em primeiro plano, em termos quantitativos três em cada dez brasileiros - entre 15 e 64 anos - são analfabetos funcionais, esse quadro representa aproximadamente 38 milhões de pessoas, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Motenegro em 2018. Esse cenário, evidencia a dificuldade de acesso à educação de qualidade e mostra que uma grande parte da sociedade verde-amarela sofre de um problema histórico e cruel: a invisibilidade. Esse fenômeno, descrito pela filosofa Simone de Beauvoir, diz respeito a indiferença que as populações marginalizadas são tratadas. Ora, a exclusão e a invisibilidade denunciadas por Beauvoir se estendem as escolas, uma vez que substancial parcela de cidadãos possui dificuldade para usufruir do ensino público. Assim, não é razoável, que em pleno século XXI, que o acesso a esse importante direito social não seja, de fato, democratizado.
Sob outra análise, a problemática do analfabetismo funcional não se resume apenas ao ingresso na escola - apesar de ser importante - outro desafio primordial consiste em: reformular a metodologia do ensino. Sobre essa questão, o filósofo e pedagogo Paulo Freire disserta que o processo de ensino-aprendizagem deve servir como instrumento de libertação visando transformar a realidade social do aluno. Assim, cabe ao docente despertar no discente o interesse pelo ato pedagógico, e fazer uso de metodologia que lhe promova autonomia. Logo, o método de ensino proposto por Freire se mostra eficiente para combater as limitações dos cidadãos - que embora sejam alfabetizados - possuem limitações para ler, interpretar textos e solucionar operações matemáticas simples de seu cotidiano.
Portanto, para garantir a premissa da educação proposta por Guimarães, o Ministério da Educação deve, com urgência, subsidiar a abertura de escolas públicas nos municípios que não disponham desse importante veículo de transformação social, por meio de parcerias com as Secretaria de Educação Estaduais e Municipais, a fim de levar o ensino de excelência para os locais invisibilizados. E cabe as escolas, por sua vez, investir na capacitação dos professores, por meio de cursos e treinamentos em metodologia do ensino, para que esses adotem modernas práticas pedagógicas, capazes de estimular o aprendizado dos alunos. Pois, só assim, será possível promover, de fato, a disseminação democrática da educação de excelência, de modo a colaborar para o diminuir o analfabetismo funcional no Brasil.