Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 15/06/2020

Desde a Constituição Federal de 1988, a educação é um direito básico de todos. Porém, os altos índices de analfabetismo funcional, no Brasil, deixam claro que os indivíduos não estão gozando em plenitude desse direito. É inegável que muito se evoluiu desde as leituras bíblicas manipuladas para os escravos e indígenas no período colonial. Ou desde a pequena população elitista alfabetizada que consumia literatura durante o romantismo. Contudo, ainda há muito a ser feito. Um número reduzido de leitores que leem frequentemente, mesmo em idade escolar, associado às facilidades trazidas pela tecnologia resultam em dados alarmantes de pessoas que sabem ler, mas não compreendem o que está sendo lido. Assim, a essa situação cabe uma análise.

Primeiramente, é de suma importância destacar quanto o hábito da leitura é desvalorizado pela cultura brasileira. Historicamente, a população pobre sempre sofreu com o analfabetismo e isso se reflete ainda nos dias de hoje. É comum, no Brasil, conhecer um adolescente que nunca leu um livro. Com isso, é inevitável que o não desenvolvimento do hábito da leitura desde a educação básica limita os indivíduos. Isso é ampliado quando associado às facilidades do advento da tecnologia e sua linguagem própria. Na internet o uso de abreviações e “emojis” — desenhos e ícones usados para representar emoções e sentimentos nas redes sociais — são comuns, além do corretor automático que reescreve o que está sendo digitado de maneira certa instantaneamente. Essas comodidades acarretam muitas sequelas.

Consequentemente, surgem dados apavorantes que revelam o atual estado da educação no país. Uma reportagem exibida pelo Jornal da Record, em 2016, revelou que quase metade da população brasileira com idade entre 15 e 64 anos tem dificuldade de interpretar textos, mesmo sabendo ler. Essas pessoas também possuem dificuldades em produção textual e argumentação. Infelizmente, a partir disso, existe um impedimento de que a população consiga evoluir culturalmente, e as pessoas se tornam mais vulneráveis e passiveis de serem manipuladas e influenciadas com maior facilidade.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas incentivarem a leitura e o desenvolvimento das habilidades intelectuais dessa área de conhecimento. Isso poderá se dar por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar que toda criança em idade escolar devem ser acompanhadas por profissionais capacitados que possam diagnosticar falhas na educação e promoverem atividades lúdicas que resultem em uma evolução desses aspectos. Assim espera-se, mesmo que a longo prazo, promover a redução do analfabetismo funcional no Brasil.