Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 02/07/2020
Na música “Estuda Errado”, do cantor Gabriel, o Pensador, descrita a ineficiência da educação brasileira: “decorei, copiei, memorizei, mas não entendi; quase tudo que aprendi amanhã já esqueci”. Análogo à canção, hodiernamente, a realidade do analfabetismo funcional é expressiva no perfil da sociedade brasileira. Isso ocorre tanto pela falta de valorização do Estado para com o professor, como também pela inação social para criar estratégias de desenvolvimento intelectual dos indivíduos.
Impende ressaltar, primeiramente, que o Estado é o responsável por ofertar a qualidade de ensino e a excelência profissional dos docentes e discentes. Nesse tocante, considera-se relevante o “pacto da mediocridade”, do escritor antropólogo Darcy Ribeiro, o qual significa que o professor mal remunerado finge que ensina e o aluno finge que aprende, e um reclama do outro. Assim, como o método saturado, a estagnação salarial e a desmotivação profissional, não há estímulo e reconhecimento do professor. Com efeito, ocorre a falta do crescimento no ensino-aprendizagem, tornando a educação uma ilusão sociocultural. Logo, é um notório aspecto de renovação educacional a ser realizado.
Outrossim, é mister enfatizar que, sem a participação da sociedade no processo de alfabetização, somente a escola não acelerará o fim do analfabetismo funcional, uma vez que as ações sociais contribuem como alternativa de mudança desse quadro. Desde 2009, o IBGE mostra que, mesmo com a construção de escolas e contratos de professores, 4 em 10 pessoas, de 15 a 64 anos, são analfabetos funcionais. Depreende-se, portanto, que a estatística e o perfil da população não mudaram ao longo dos anos, apesar da participação governamental. No entanto, o conjunto social também deve atuar de forma extramural, no cumprimento do dever de contribuição civil, ajudando na construção do pensamento crítico, da imaginação e do vocabulário. Dessa forma, fará parte da transformação e mitigação do problema.
Em síntese, é fulcral afirmar que as formas de superar o analfabetismo funcional dependem de atitudes coletivas e governamentais. Por conseguinte, cabe ao Governo Federal - como poder máximo de administração executiva – em consonância com o MEC, criar políticas públicas de reajuste salarial e qualificação dos professores, por intermédio de destinação de verbas e cursos com novos métodos de ensino, a fim de motivar a execução de excelência do trabalho desses. Ademais, a sociedade civil organizada deve criar projetos de desenvolvimento intelectual dos indivíduos, nos bairros e comunidades, por meio da transformação de espaços coletivos em rodas de leituras, debates e contação de histórias, com o fito aprimorar o senso crítico e o conhecimento da população. Sob essa perspectiva, será possível reverter a situação de “Estudo Errado”, o qual o cantor se referiu.