Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 16/07/2020
Segundo o filósofo moderno Immanuel Kant, o ser humano precisa consolidar suas próprias capacidades de conhecer através de um processo denominado esclarecimento, pelo qual o indivíduo sai do estado de menoridade e realmente alcança o conhecimento. Entretanto, quando se analisa a população brasileira, percebe-se que grande parcela desta ainda não passou por tal processo e se encontra no estado de analfabetismo funcional - situação em que a pessoa compreende princípios básicos em diversas áreas do conhecimento, mas não consegue aplicá-las. Em suma, esse problema é gerado pela manutenção de uma educação excludente e pode prejudicar a economia do país.
A priori, segundo pesquisas realizadas pelo projeto Todos Pela Educação, a educação nos setores básicos de ensino não é adequada à realidade dos indivíduos de baixo nível socioeconômico. A esse respeito, de acordo com tais pesquisas, essa não adequação se relaciona com a falta de transportes públicos que proporcionem movimentos pendulares mais eficientes e confortáveis, baixa qualidade dos materiais escolares e pela escassez de professores bem habilitados ao ensino. Nesse sentido, muitos alunos acabam por entenderem o estudo como um compromisso desgastante, o que gera desinteresse no processo educativo e contribui para a formação incompleta do estudante. Tal perspectiva mostra-se evidente ao se considerar que, com base nas pesquisas do projeto citado, apenas 7,5% dos estudantes de baixo nível socioeconômico obtém o desempenho necessário em língua portuguesa - considerada a matéria vilã quando se trata de analfabetismo.
Além disso, é importante comentar as mazelas que o analfabetismo funcional gera na economia. Acerca dessa premissa, como divulgado pela Confederação Nacional da Indústria, cerca de metade das indústrias do país não encontram mão de obra devidamente qualificada, mesmo que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 10% dos brasileiros estejam desempregados. Com base nisso, a manutenção do analfabetismo funcional promove um paradoxo no Brasil, onde existem vagas, mas muitos brasileiros não estão aptos a estas pela formação educacional superficial que não gerou o esclarecimento verdadeiro - como dito por Kant - aos estudantes.
Portanto, percebe-se que melhorias no setor educacional precisam ser tomadas para o combate ao analfabetismo funcional. Para tanto, o Poder Legislativo deve desenvolver um ensino que acolha e inclua corretamente os indivíduos mais pobres, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Essa lei deverá estabelecer a disponibilização, pelo Estado, de novos veículos públicos e de livros renomados do ensino fundamental às regiões com maiores índices de analfabetismo funcional. Com isso, a educação brasileira será mais adequada ao seu povo, contribuindo, inclusive, na economia.