Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 04/08/2020

Diante das inúmeras situações vivenciadas pela sociedade hodierna, cumpre ressaltar o caos em torno da educação brasileira, uma vez que a associação de leis não cumpridas em sua plenitude com, muitas vezes, o insuficiente estímulo familiar ao estudo corroboram para a existência de altos índices no que concerne ao analfabetismo funcional. Para tanto, urgem atos mais enfáticos tanto do Poder Público quanto da sociedade civil, com o intuito de amortizar esse imbróglio.

Nessa perspectiva, é mister destacar que apesar da Constituição Federal - promulgada em 1988- assegurar a educação de qualidade como direito inalienável de todos os cidadãos, muitos brasileiros não possuem acesso a esse direito seja pela distância de sua residência a uma escola, seja pela falta de professores, sendo considerados analfabetos funcionais. Essa situação foi dissertada pelo jornalista brasileiro Gilberto Dimenstain, pois em sua obra ‘O Cidadão de Papel’ analisa acerca da realidade do país e exemplifica casos em que as leis ficam apenas ‘no papel’, não sendo exercidas de forma adequada. Dessa maneira, é essencial que atos mais incisivos sejam executados, a fim de minimizar esse percalço que afeta milhares de brasileiros.

Ainda nessa mesma perspectiva, é fulcral destacar que o cenário relacionado com o analfabetismo é agravado em função do pouco estímulo familiar. Ademais é possível estabelecer um paralelo com a teoria do ‘Habitus’ do sociólogo francês Pierre Bourdier, visto que os indivíduos tendem a internalizar e, por fim, reproduzir as realidades vivenciadas, essa conjuntura pode ser analisada a medida que constata-se que o desestímulo por parte dos genitores ocorre, principalmente, entre os que não concluíram os estudos favorecendo o cenário do analfabetismo funcional devido ao inacabado processo educacional, assim como ocorre maior incentivo entre os concludentes. Logo, é importante que os núcleos formadores de opinião atuem incisivamente, objetivando que os jovens valorizem a educação.

Portanto, é perceptível a necessidade de medidas a favor da educação brasileira. Para isso, faz-se fundamental que o Poder Público, por meio do Ministério da Educação, destinem não só mais verbas para às instituições educacionais, mas também promovam incentivos para elaboração de campanhas e mesas-redondas periódicas, sendo ministradas por professores qualificados, tendo como público-alvo os estudantes e seus respectivos núcleos familiares. Tal ação possui o fito de disponibilizar maiores recursos tanto para a infraestrutra das escolas quanto para a contratação de profissionais, bem como alertar acerca da importância do estudo como ferramenta de ascensão social. Apenas assim, poder-se-á consolidar uma realidade em que o infortúnio do analfabetismo perca protagonismo e a lei seja executada negando a tese proposta pelo ilustre Dimenstain.