Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 12/08/2020
Durante a República Velha, o Brasil teve como característica a prática do “voto de cabresto”, em que o cidadão, por pressão dos coronéis, aprendia a escrever apenas seu próprio nome para poder registrar o voto; tornando-se um analfabeto funcional. Analogamente, tal conjuntura ainda é presente na sociedade brasileira do século XXI, onde pessoas, mesmo sabendo ler e escrever, não utilizam tais ferramentas para gerar conhecimento. Desse modo, as disparidades de ensino no país e a desvalorização da leitura geram entraves para a redução do analfabetismo funcional no Brasil.
A princípio, é notório que a diferença na qualidade entre o ensino popular e o privado no país é um fator que contribui significativamente para a problemática, uma vez que as escolas públicas alfabetizam os jovens, porém carecem de metodologias que incentivem o desenvolvimento após a alfabetização. Segundo o escritor brasileiro Rubem Alves, “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”. Diante disso, é indubitável que o carente sistema de educação pública dificulta o letramento funcional, haja vista que muitos alunos que se formam em tal rede não conseguem exercer plenamente as práticas de leitura e escrita com compreensão total do texto. Assim, ao invés de dar “asas” o sistema, urgindo por mudanças, impede os jovens de prosperar.
Ademais, outro fator conflitante para a redução do analfabetismo funcional é a desvalorização da leitura como meio promotor de conhecimento, visto que muitos brasileiros sabem ler, mas não de forma utilitária. Por conseguinte, no filme da Disney, “A Bela e a Fera”, a Bela é tida como uma garota esquisita pela sociedade ao seu redor, por usar a leitura para conhecer o mundo além da vila em que vive. Outrossim, tal lógica também está presente no Brasil, onde os cidadãos, mesmo que letrados, não têm a leitura como ferramenta funcional para aprendizado. Dessa forma, é inegável a importância da prática para solidificar conhecimentos e melhorar a compreensão do mundo a sua volta.
Em suma, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, deve propor a criação do projeto “Aprendizado funcional”, por meio de um artigo entregue a Câmara dos Deputados. Tal projeto contará com uma reforma no sistema de ensino nacional, que irá promover práticas de desenvolvimento e compreensão da escrita em todos os níveis de escolaridade desde a alfabetização. Além disso, também haverá oficinas de leitura que promovam a valorização dessa para a formação social. Espera-se, com essa ação, cessar com os entraves e propiciar a redução do analfabetismo funcional no Brasil.