Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 10/08/2020

O poeta Carlos Drummond de Andrade, no poema “No Meio do Caminho”, descreve a circunstância a angustiante do eu lírico ao lidar com uma pedra presente em sua trajetória. Fora do contexto drummoniano, igualmente o povo brasileiro encontra-se impedido por obstáculos de obter o pleno conhecimento, fato consequente do analfabetismo funcional. Tal problemática persiste devido à falta de leitura eficiente e à escassez de investimentos educacionais.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a importância da leitura interpretativa para a saída do cenário de ignorância. Acerca disso, o filósofo ateniense Platão, na “Alegoria da Caverna”, refletia acerca da necessidade do pleno conhecimento do ser  das coisas para interpretação da realidade, a qual só seria atingida pela exercício, de modo que transcenda o mundo sensível. Entretanto, essa realidade platônica não é efetivada na sapiência brasiliense, uma vez que somente 20% dos estudantes, de acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional, chegam às universidades alfabetizados funcionalmente, demonstrando, assim, que a interpretação da essência de textos verbais e não verbais está comprometida para a maioria dos universitários. Essa situação é inadmissível, posto que o Ensino Fundamental e médio deveriam ser suficientes no desenvolvimento da decodificação e decifração de textos, logo, da própria realidade.

Em segundo lugar, a falta de investimentos no setor educacional constitui-se como empecilho para a funcionalidade interpretativa da população. Nesse sentido, o sociólogo Louis Althusser, em sua tese marxista, afirmava que os aparelhos estatais e ideológicos imputavam ao povo exigências de cunho curricular e ético, de forma que atendessem aos anseios laborais da classe dominante. Isso configura-se como problema, posto que a degradação do desempenho da análise do tecido social é um mecanismo elitista para reproduzir comportamentos alienados, os quais prendem o indivíduo na ignorância e servem a classe elitista.

Diante dos fatos supracitados, percebe-se que mudanças são imprescindíveis. Para solucionar tal impasse, é fundamental que o Ministério da Educação adicione à grade curricular do Ensino Fundamental e médio atividades lúdicas, as quais aprimorem o potencial interpretativo, unindo estudos da Filosofia, Literatura e Artes, para que se cultive o hábito da reflexão interdisciplinar. Dessa forma, o povo brasileiro será preparado desde à infância para estar incluso à vida civil, ultrapassando os obstáculos outrora impostos.