Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 05/09/2020
Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à educação como direito de todos os cidadãos, percebe-se a falta de qualidade no cumprimento dessa garantia. Isso porque, má efetivação aumenta as dificuldades de aprendizagem, seja pela infraestrutura precária do sistema público de ensino, seja pela persistência dos altos índices de pobreza. Tendo em vista esses obstáculos, é imprescindível buscar alternativas que reduzam o analfabetismo funcional no Brasil.
A priori, a manutenção desse cenário deve-se ao desestímulo provocado aos alunos. A desatualização da base curricular, criada ainda nos moldes da Revolução Industrial, em que o objetivo era apenas formar mão de obra, desconsidera a evolução tecnológica e mantem características obsoletas: cadeiras enfileiradas e o repasse de informações pelo professor. Esses aspectos, além de representarem uma aprendizagem limitada, torna-se pouco atraente em um contexto de modernidade líquida previsto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, o qual predomina-se a valorização do momentâneo. Somado a isso, as más condições físicas das escolas públicas impossibilita uma educação com qualidade. Dessa forma, nota-se uma maior incidência de estudantes com problemas em realizar operações básicas, seja na interpretação de textos, seja na integração lógica de ideias, o que resulta em 38 milhões de analfabetos funcionais no país, segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Ademais, apesar de o tempo de investimento escolar seja determinante para o desenvolvimento educacional dos indivíduos, nem todos possuem a oportunidade de se dedicar integralmente. Em um país que apresenta 13,5 milhões de pessoas em condições de pobreza extrema, segundo o jornal El País, muitos jovens enxergam o trabalho precoce como uma solução para complementar a renda familiar. Diante disso, o cansaço ocasionado pela jornada dupla (estudo e emprego) pode comprometer o rendimento escolar dos alunos e até provocar a evasão. Logo, se não há políticas públicas que auxiliem a permanência escolar, não há, também, como reduzir esse tipo de analfabetismo no Brasil.
É evidente, portanto, a necessidade de erradicar tal conjuntura. Para isso, é justo que o Ministério da Educação atualize a metodologia de ensino, com a implementação de aulas digitais e o fornecimento de internet em sala de aula, de modo que essa conectividade expanda as possibilidades de conhecimento e dinamize o ambiente escolar, tornando-o mais moderno. Outrossim, o Governo Federal, precisa diminuir as desigualdades sociais e eliminar a precariedade física das escolas, mediante o fornecimento de um abono mensal aos alunos com vulnerabilidades econômicas e da reforma periódica de tais locais, a fim de estimulá-los a se dedicar ao ensino. Assim, será possível universalizar a efetivação do direito à educação e, consequentemente, formar indivíduos com maior desempenho acadêmico.