Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 22/09/2020

São classificados como analfabetos funcionais as pessoas que, embora reconheçam letras e números, são incapazes de interpretar textos simples e realizar operações matemáticas básicas. Para esses brasileiros - cerca de trinta por cento da população de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - as tarefas do cotidiano se tornam grandes desafios, o que dificulta o exercício de uma vida com autonomia e uma cidadania crítica, e é resultado da ausência de projetos que promovam o acesso à educação básica para crianças e adultos. Logo, para que se finde o problema citado, urge a intervenção do poder público.

É importante abordar, em um primeiro momento, a relação entre o acesso às instituições de ensino e o analfabetismo funcional. Dados do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (INAF) demonstram que quanto mais jovens são os indivíduos do grupo analisado, melhores são os índices de alfabetização - cerca de oitenta e oito por cento, enquanto nos adultos a taxa é de quarenta e quatro por cento. A escolaridade é o fator que explica essa diferença entre as gerações, pois foi a partir dos anos dois mil - conforme o IBGE analisou - que o número de crianças e adolescentes frequentando o ensino básico público começou a crescer. Ou seja, a compreensão plena de frases e textos, apesar de um processo contínuo, está interligada ao acesso à educação primária de qualidade.

Sob esse viés, o tempo de permanência do indivíduo no sistema educacional é outro fator que produz pessoas proficientes na leitura e na escrita. Para o INAF, as habilidades em lidar com a língua portuguesa estão presentes no cotidiano de noventa e seis por cento dos brasileiros que cursaram uma graduação - independente da idade - e esse número cai conforme a escolaridade é reduzida. Sendo assim, mesmo que o letramento seja uma prática presente em múltiplas situações do cotidiano, as instituições de ensino representam um local em que o povo eleva constantemente seu nível de alfabetização e passa a possuir a capacidade de elaborar opiniões e críticas sobre a sua realidade.

Diante do exposto, conclui-se que uma alternativa para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil é a ampliação do acesso ao ensino básico, visto que ele é a porta de entrada da ascensão dos níveis de aprendizado. Para isso, cabe ao Ministério da Educação criar uma política de descontos em impostos - destinados aos estudantes ou responsáveis legais - a fim de incentivar a matrícula de adultos no sistema de Ensino de Jovens e Adultos e de crianças em escolas de ensino fundamental, bem como aumentar o número dessas instituições em regiões carentes de tal demanda, para que assim os brasileiros se sintam influenciados a ter uma longa vida acadêmica. Com essas medidas, as mudanças esperadas serão concebidas com êxito.