Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 10/09/2020

O filme, “Uma menina que não sabia ler, de Justin Chadwick, retrata a história de Florence, uma garota que sonhava em ter uma vasta biblioteca, mas, não conseguia entender o conteúdo dos livros, apesar de frequentar regularmente a escola. Fora da ficção, o analfabetismo funcional é uma realidade na sociedade brasileira, pois dados do IBGE indicam que mais de trinta por cento dos brasileiros possuem dificuldade na interpretação de textos. Desse modo, a falta de incentivo a leitura e o baixo investimento na educação atuam como agravantes do cenário atual.

Em primeiro lugar, faz-se necessária uma análise acerca do índice de leitura no Brasil. Dessa forma, o Instituto Pró-Livro, por meio de uma pesquisa, aponta que, em média, o brasileiro lê apenas 2 livros ao ano. Assim, esse dado revela que o brasileiro não possui a prática da leitura, e tal situação é reflexo do pouco estímulo que os indivíduos recebem, ainda quando crianças, a criarem o hábito de ler. Dado que, de acordo com a Neuropediatra, Nina Vasconcelos, apesar do indivíduo possuir personalidade própria, a grande maioria dos hábitos são inseridos pelo meio em que se encontra, enquanto crianças.

Ademais, o investimento insuficiente na educação básica colabora com a persistência dos altos índices de analfabetismo funcional. Visto que, dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) demonstram que menos de 25% dos repasses financeiros, a instituições de ensino, são para a educação básica. Dessa maneira, com recursos financeiros escassos, a alfabetização acaba sendo ineficiente, consequentemente, o número de indivíduos com interpretação de textos limitada, caracterizando-o como analfabeto funcional, aumenta.

É imprescindível, portanto, que o Estado tome medidas para a melhoria da situação. Com isso, o Ministério da Educação e Cultura deve, em parceria com os municípios, incentivar a leitura da população, por meio da criação de uma “Semana da Leitura” nas escolas, em que, durante uma semana, serão oferecidos aos alunos, textos, livros, revistas e jornais, sendo que ao final de cada leitura o aluno será desafiado a responder questões sobre o material lido, a fim de criar o hábito da leitura e interpretação nos indivíduos. Além disso, o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Economia, precisa melhorar a educação básica fornecida, por meio do investimento nas escolas que abrangem os anos iniciais da educação, para que a alfabetização seja melhorada e a quantidade de analfabetos funcionais diminua. Somente assim, dramas, como os da personagem Florence, deixarão de ser uma realidade na vida de muitos brasileiros.