Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 15/09/2020
Na obra " vidas secas", do escritor e jornalista brasileiro Graciliano Ramos, o personagem Fabiano é facilmente manipulado por seu patrão, devido ao seu baixo nível de conhecimento matemático, prejudicando a situação econômica de sua família. Paralelo a isso, hodiernamente, um número exacerbado de pessoas sofrem com as dificuldades do analfabetismo funcional, ou seja, indivíduos que possuem dificuldades na interpretação de texto e na realização de contas básicas. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios sejam criados a fim de resolver essa inercial problemática.
Em primeira análise, sob ótica sociológica, a estrutura educacional brasileira é subproduto de anos de negligência estatal, a qual não proporciona um ambiente adequado para o aprendizado do corpo estudantil. Isto é, as instituições de ensino, do básico ao superior, tendem a determinar as metodologias e temáticas envolvendo a leitura e interpretação de forma arbitrária e não prazerosa. Além disso, essa problemática limita a autonomia individual em busca de informações, dificulta o desenvolvimento de um pensamento crítico e amplia os casos de manipulação.
Ademais, é fulcral destacar que durante os períodos colonial e imperial do Brasil, a massa popular sempre teve dificuldade em conseguir uma oportunidade em relação ao ensino, haja visto que a educação exigia uma quantia que a classe pobre não podia custear. Entretanto, de acordo com a Constituição Federal de 1988, no artigo 205, " a educação é direito de todos e dever do Estado". Assim, embora o sistema de ensino brasileiro seja considerado democratizado, esse fato não garante a igualdade para toda a população fazendo com que os índices do INAF subam.
Depreende-se , portanto, a relevância de alternativas para redução do analfabetismo funcional. De acordo com o economista Arthur Lewis é imprescindível frisar que a educação não deve ser pensada como uma despesa e, sim, como um investimento. Com isso, faz-se mister que o Ministério da Educação, em conjunto com os familiares dos discentes brasileiros, promova políticas públicas de desenvolvimento do ensino básico, por meio de campanhas de leitura, interdisciplinaridades, além de uma maior atenção para o ensinamento matemático mais compreensível.Além disso é importante que as Casas Legislativas realizem propostas de leis para posterior sanção do Presidente da República,a fim de ampliar as grades curriculares de disciplinas que aumentem o senso crítico dos alunos de escola pública.Logo, espera-se, em um momento futuro, uma educação que atenda não só às exigências do meio social, mas que também proporcione o desenvolvimento de um ser humano com reparo e autonomia.