Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 18/09/2020
A música “Que País É Este?”, da banda Legião Urbana, apresenta um sentimento de indignação aos diversos problemas do Brasil nos âmbitos políticos, sociais e econômicos. Na canção, a pergunta que a nomeia permite uma reflexão sobre o analfabetismo funcional, o qual é um impasse para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária no país, apesar da Constituição Federal assegurar o direito à educação das crianças e dos adolescentes. Dessa forma, o ensino público é desigual e precário, além de que a didática domiciliar tem papel fundamental no processo de aprendizagem, porém, muitas vezes, não ocorre com a devida importância, por isso tais fatores são obstáculos para a erradicação do dilema em questão e enfraquece a esperança do futuro da nação, o qual é mencionado na composição.
Nessa perspectiva, é válido ressaltar que no período do Brasil Colônia, entre os séculos XVl e XlX, o ensino era restrito a alguns filhos de colonos e aos índios aldeados. A partir disso, essa exclusão educacional da época trouxe impactos na contemporaneidade, tendo em vista que, a educação de qualidade é um privilégio para aqueles que têm maior poder econômico e melhores oportunidades, assim como ocorreu durante o domínio português. Em síntese, considerando que somente 8% dos brasileiros possui um perfeito domínio da leitura e da escrita, de acordo com uma reportagem feita pela Record em 2016, a precariedade do ensino público implica para que esse cenário se mantenha instável.
Ademais, a alfabetização e a transmissão de conhecimento exercem papéis cruciais para a redução do analfabetismo funcional, porém tais ensinamentos não são responsabilidade apenas da escola. Nesse viés, embora o período considerável que os indivíduos passam nas salas de aula, o tempo em casa é fundamental para os estudos, além da revisão do que foi estudado, mas também do complemento com novos ensinamentos. Entretanto, a falta de recursos e materiais disponibilizados para a continuação do aprendizado nos lares agrava a taxa de iletrados no Brasil. Nesse viés, levando em consideração o pensamento do economista William Arthur, o qual afirma qual a educação nunca foi uma despesa, mas sim um investimento, a resolução de tal impasse é imprescindível.
Face ao exposto, os empecilhos para a solução da adversidade apresentada devem ser resolvidos. Destarte, o Ministério da Educação deve disponibilizar materiais didáticos, por meio de apostilas impressas e virtuais, conforme a idade, para os alunos das redes públicas, os quais servirão como complemento dos estudos e serão solicitados conforme a necessidade de cada família. Outrossim, os educadores deverão enviar um relatório mensal à Secretaria de Educação dos respectivos estados acerca das dificuldades apresentadas pelos alunos, visando prevenir a existência de iletrados funcionais e trabalhar com as demandas de cada instituição.