Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 23/09/2020

Na obra “A hora da Estrela”, de Clarice Lispector, é relatado a situação da personagem Macabéa, que encontra obstáculos para desenvolver-se em sociedade, em função da sua dificuldade de em interpretar os códigos linguísticos. De maneira análoga a historia fictícia, a questão do analfabetismo funcional, no Brasil, se mostra como um problema. Assim, é licito afirmar que a falha no sistema pedagógico e a carência no incentivo a pratica da leitura, contribuem para a perpetuação do cenário negativo.

Em primeira analise, é preciso observar o atual método de educação, visto que é um fator propiciador do analfabetismo funcional no Brasil. Neste viés, a incapacidade de compreender textos simples, mesmo conhecendo os números e letras, provém de um sistema baseado em uma alfabetização mecânica, ou seja, sem respeitar o ritmo do aluno e sem levar em conta sua bagagem e maturidade emocional. Fazendo com que o individuo saiba juntar as palavras, mesmo que de forma artificial, mas seja incapaz de interpretar o seu significado. O que reduz a empregabilidade e as oportunidades de inclusão social, principalmente entre os mais pobres.

Outrossim, é observado que a falta de incentivo ao uso de livros, fora do ambiente escolar, contribui para uma carência nesse aspecto. Uma vez que, na realidade brasileira, não é habitual ou comum à leitura, que é uma grande aliada na construção da compreensão, do conhecimento e pensamento critico, além do desenvolvimento intelectual. Segundo um levantamento feito pelo Instituto Pró-Livros, 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro. Baseado nos dados anteriores é possível refletir sobre o cenário atual, que é caracterizado por um grande número de analfabetos funcionais – indivíduos que sabem ler, porém em contrapartida são limitados, por não terem a capacidade de desenvolver a interpretação.

Em suma, medidas são necessárias para que cada vez mais pessoas consigam interpretar além do que está escrito. Cabe ao Ministério da Educação, elaborar um novo sistema educacional, com o intuito de dar o individuo a oportunidade de uma alfabetização além do aprendizado somente da junção de palavras. Com o intuito de desenvolver intelectualmente o aluno, através da leitura e o ensinamento do pensar, para que esse individuo possa compreender tudo a sua volta. Fugindo da forma mecânica de alfabetizar e priorizando o contexto real e social da mesma. Além de, campanhas que incentivem a pratica da leitura e que levem o verdadeiro significado da mesma para a vida do individuo. Para que ele ao longo de sua vida possa está pronto para aprender e compreender o que surgir em sua frente.