Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 06/10/2020

Segundo o historiador José Murilo de Carvalho, na época precedente à Independência do Brasil, a elite brasileira era uma ilha de letrados em um mar de analfabetos. Hodiernamente, entretanto, com o acesso à educação cada vez mais abrangente, um outro tipo de analfabetismo mostra-se evidente, sendo esse chamado de funcional - incapacidade do indivíduo compreender textos, mesmo sabendo ler. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema alicerçado na falta de um programa educacional eficiente e na escassez de incentivos à literacia.

Em primeira análise, o analfabetismo funcional concretiza-se na sociedade quando há a incidência de uma política educacional ineficiente. Em destaque ao pensamento de Sócrates, o qual acreditava que o existencialismo humano é intrínseco ao ato de pensar, os órgãos responsáveis, como o ministério da educação, diverge a premissa do filósofo, visto que contribui para um programa de alfabetização que ensina o indivíduo a ler, mas não a pensar. Desse modo, constata-se, não só, a ineficiência do programa educacional brasileiro, como também  a incapacidade do Estado em ofertar o existencialismo abordado por Sócrates.

Além disso, a literacia - capacidade de adquirir conhecimento através da escrita e da leitura - é pouco quista no Brasil, uma vez que a aquisição de livros é excludente. Em alusão ao livro “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury, o qual descreve uma sociedade distópica que queima livros e tem um protagonista, Guy Montag, que passa a questionar esse sistema e começa a ler clandestinamente. No decorrer do enredo, o protagonista, mesmo sabendo ler, necessita da ajuda de um professor, pois o personagem em questão não sabia interpretar textos, bem como, torna-se evidente, para Guy, o superficialismo de uma sociedade sem livros. Logo, o difícil acesso aos livros no Brasil pode introduzir as mesmas mazelas na sociedade criada por Ray e os indivíduos podem começar, assim como protagonista da história, a não compreender os textos lidos.

Torna-se claro, portanto, a relevância da introdução de alternativas que reduzam os números de analfabetos funcionais no Brasil. Para isso, é preciso a intervenção do ministério da educação, a partir da projeção de um programa educacional eficiente, com o objetivo na qualitividade do ensino infantil e adulto, bem como democratizar o acesso aos livros no Brasil, através da redução de impostos e  na construção de bibliotecas públicas. Isso, consequentemente, resultará na formação de uma população consciente de seus atos. Assim, haverá a resolução do impasse e o analfabetismo funcional não se alicerçará na sociedade atual.