Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 04/10/2020

Historicamente, a democratização do acesso a educação é um marco para o desenvolvimento social o Brasil, uma vez que esse ensino esteve restrito a elite econômica. Entretanto, essa popularização educacional veio acompanhado de inúmeras lacunas que ocasionaram o aumento do analfabetismo funcional. Nesse contexto, a ausência de investimentos no setor de educação básica, atrelada a exiguidade assistencial do Estado tende a prorrogar a finidade desse empecilho. Logo, esse cenário torna-se um dos responsáveis pelo atual regresso brasileiro, no que tange a esfera social e pessoal.

É pertinente abordar, a priori, que a persistência do analfabetismo funcional na atual conjuntura advém da omissão estatal em fornecer projetos pautados no incentivo à leitura. Isso tudo, deve-se pelo desinteresse do Governo que prioriza investimentos para o ensino acadêmico e, com isso, ocorre o menosprezo da base, que é responsável pela formação intelectual dos indivíduos na sociedade. Ademais, o hodierno estágio da educação brasileira consoa com o que está proposto no livro “Pedagogia da Autonomia”, do pedagogo Paulo Freire, pois as instituições de ensino priorizam uma educação bancária e, assim, impossibilita um aprendizado respaldado na autonomia dos educandos. Dessarte, reverbera-se uma deturpação das diretrizes da Carta Magna de 1988, posto que as ações do Estado são incondizentes com o previsto no documento supracitado.

Por conseguinte, é notório que esse déficit didático influencia negativamente para a formação dos cidadãos do País, haja vista que esse paradigma dificulta a construção de um senso crítico e, também, o ingresso dessas pessoas no mercado de trabalho devido a desqualificação de sua mão de obra. Destarte, esses indivíduos são mais vulneráveis para o processo de manipulação social e, desse modo, tornam-se possíveis agentes propulsores na proliferação das fake News, já que eles não sabem discernir a veracidade dos conteúdos. Perante isso, segundo o INAF 2018 (Índice Nacional de Analfabetismo Funcional) apontou que cerca de 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos e, dessa forma, ratifica a despretensão do Estado em solucionar esse obstáculo.

Depreende-se, portanto, que a presença do analfabetismo funcional no Brasil decorre da incapacidade governamental em gerir medidas plausíveis para resolver essa problemática. Nesse sentido, o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Educação, deve viabilizar maiores verbas, com intuito de reestruturar o ensino e, sobretudo o básico e, com isso, contribuir para a construção de uma Base Nacional Comum Curricular mais abrangente e que respalde as competências para uma educação de qualidade. Consoante, a Mídia, diante do seu poder de propagação, procure disseminar propagandas que incentive a prática da leitura e, dessa forma, promover o progresso da sociedade.