Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 17/11/2020

“A sociedade é necessitante de críticas às suas próprias tradições”. A máxima do escritor José Saramago norteia a atual sociedade. Visto que o índice de analfabetos funcionais cresce a cada ano, a ausência da literacia familiar, além da grande desigualdade social tornam-se fatores fundamentais para dar continuidade à ascensão desse índice, fazendo, desse modo, necessária a presença de alternativas  que visem a diminuição do analfabetismo funcional no Brasil.

Em primeiro plano, a participação dos pais no desenvolvimento das crianças é de extrema importância. Sendo assim, a introdução de livros e músicas na primeira infância já deve ser feita pelos responsáveis, visto que a literacia familiar estimula o desenvolvimento da capacidade cognitiva dos pequenos. No entanto, a escassez de atividades que aguçam a cognição na primeira infância ainda é um fator muito presente.  Prova disso, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que 28% das pessoas não leem por falta de prazer nessa atividade, devido a falta de incentivo tanto do âmbito escolar quanto do âmbito familiar. Demonstrando, desse modo, que o estímulo à leitura desde cedo pode se tornar um catalisador para a diminuição das taxas de analfabetismo funcional.

Ademais,  a desigualdade social torna-se fator de grande relevância para a ausência da alfabetização completa em inúmeros cidadãos. Isso pois, devido ao grande número de obstáculos, como a gravidez precoce, além da necessidade da participação do jovem na contribuição para as contas da casa, exercidos sobre as parcelas da população com pequena renda, acarretam no alto índice de evasão escolar dessa fração da sociedade, mostrando, dessa forma, que a capacitação educacional e profissional dessas crianças acaba sendo prejudicada. Sendo assim, a maior responsabilidade dos setores responsáveis para com esses jovens, é um ponto que pode amansar o alto índice de analfabetismo.

Fazem-se necessárias, portanto, medidas capazes de reduzirem a escassez da alfabetização completa entre a população brasileira. Posto isso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos em consonância ao Ministério da Educação deve disponibilizar através do LOA- Lei Orçamentária Anual, verbas para as creches, escolas e universidades, para a implementação de palestras e projetos para os pais, alunos e educadores, que informem e expliquem a importância da literacia familiar na prevenção do analfabetismo, além de investimento na infraestrutura das escolas e capacitação educacional de pessoas com baixa renda, somando-se a isso, a disponibilização de aulas  complementares de português, matemática e interpretação, gratuitas em horários flexíveis para universitários. Visando, desse modo, a redução do índice de analfabetismo funcional.