Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 06/01/2021
De acordo com o pensamento do filósofo Fiódor Dostoievski, o pensamento é uma característica intrínseca ao ser humano, entretanto, a capacidade de entendimento é algo que exige desenvolvimento. Nessa perspectiva, ao analisar a sociedade brasileira, em sua conjuntura atual, é possível encontrar sentido em sua alta taxa de analfabetismo funcional. Portanto, a fim de reduzir tal quadro, deve-se analisar suas origens, que, no que se refere ao Brasil, estão, fundamentalmente, relacionadas ao tecnicismo do sistema educacional e à falta de incentivo à leitura por parte do Estado.
Em primeiro plano, é importante ressaltar a lógica tecnicista presente nas instituições de ensino brasileiras. Posto isso, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, no contexto de modernidade líquida, a sociedade prioriza as recompensas materias em detrimento das humanas. Nesse sentido, pode-se perceber que o pensamento tecnocrata das escolas, que visa, principalmente, o desempenho nos vestibulares, priva os alunos de seu pleno desenvolvimento lógico. Tal fato ocorre pois ao se utilizar de tal método educacional, os colégios retiram de seus alunos importantes pilares de sua formação, como a leitura, compreensão textual e a livre escrita.
Ademais, vale salientar a ausência de incentivo à leitura por parte do governo. Nesse âmbito, na obra “Instabilidade perpétua” de Juliano Garcia, é desenvolvida a ideia de que a leitura é o agente libertador do pensamento humano, que é limitado pelas determinações sociais. Destarte, a repressão do hábito de leitura, vinda do encarecimento do preço dos livros e ao baixo número de bibliotecas públicas, configura a sustentação do número elevado de analfabetos funcionais. Logo, é clara a premência da participação estatal no estabelecimento da cultura da leitura no país.
Depreende-se, por conseguinte, que o alto índice de analfabetismo funcional no território brasileiro deve deixar de ser realidade. A partir disso, faz-se necessário que o Ministério da Educação, por meio de projetos transdiciplinares nas escolas, como palestras, aulas temáticas e campanhas, promova a leitura e compreensão de textos, com a finalidade de criar nos estudantes o hábito de ler. Outrossim, é necessário que a Secretaria Especial de Cultura proporcione, por meio de investimentos direcionados, a construção de bibliotecas públicas e centros culturais, para que assim o real entendimento salientado por Fiódor seja concretizado.