Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 25/10/2020

A Constituição Federal, promulgada em 1988, prevê a todo cidadão o pleno acesso à educação. No Brasil, entretanto, muitos indivíduos são incapazes de interpretar textos e efetuar operações matemáticas, esses são caracterizados como analfabetos funcionais. Nesse sentido, na busca de alternativas para reduzir esse perigoso fenômeno, dois aspectos tornam-se relevantes: a evasão escolar e a qualidade do ensino.

Inicialmente, o abandono dos estudos é um dos principais fatores para o grande número de analfabetos funcionais. De acordo com o Censo Escolar de 2015, do Instituto Nacional de Educação e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), no Brasil, o ensino médio, principal etapa de construção da capacidade analítica e produção textual, apresenta 11,2% de alunos fora da escola. Dessa forma, esse percentual de estudantes que evadem do âmbito escolar estão mais propensos a se tornarem analfabetos funcionais, uma vez que tiveram sua formação educacional interrompida.

Outrossim, a qualidade do sistema educacional brasileiro impede a redução do analfabetismo funcional. Conforme o “Pacto da mediocridade”, teoria idealizada pelo antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, o professor mal remunerado finge que ensina e os alunos fingem que aprendem. Dessa maneira, os estudantes se formam sem saber nada de fato e, ao ingressarem no mercado de trabalho, apresentam dificuldades de analisar e produzir conteúdos fundamentais, pois tem uma formação medíocre e, por consequência, são considerados profissionais pouco qualificados. Em vista disso, a quantidade de analfabetos funcionais que saem de escolas e universidades é notória e problemática.

Portanto, constata-se que a taxa de analfabetismo funcional é alta, sendo assim, medidas são necessárias para minimizar esse problema na sociedade brasileira. Desse modo, é necessário que o Ministério da Educação, que é responsável pela destinação dos recursos, crie um programa nacional de valorização do conhecimento, no qual a população seja orientada acerca da importância de concluir o estudo básico, por meio de propagandas televisivas e em redes sociais. Ademais, é preciso que o Estado, que é responsável pela gestão da verba, forneça capacitação profissional, com ensino técnico e científico, após a conclusão do ensino médio, por meio de parcerias com empresas da iniciativa privada especializadas nesse tipo de treinamento. As ações propostas têm a finalidade de realçar a função da educação e elevar sua qualidade e, consequentemente, reduzir o índice de analfabetismo funcional.