Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 14/10/2020
“Eu prefiro morrer do que perder a vida”. Essa frase, dita pelo personagem “Chaves” do famoso seriado da televisão mexicana, expõe, em tom humorístico, a triste realidade daquela criança fictícia, o analfabetismo funcional. Analogamente, é possível afirmar que o Brasil está sofrendo com essa deficiência na formação educacional de sua população. Nesse sentido, faz-se mister que alternativas como a melhoria na qualidade do ensino básico e o incentivo à leitura por prazer sejam desenvolvidas a fim de reduzir o índice de pessoas que sofrem com a incapacidade de interpretação e criação de textos. A princípio, cabe ressaltar a importância de oferecer uma educação básica de qualidade na formação de uma sociedade. Sob essa ótica, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida” argumentou que uma instituição que, apesar de burocraticamente existir, deixa de cumprir com seu papel social torna-se uma “Instituição Zumbi”. Nesse sentido, o sistema educacional brasileiro se enquadra na teoria de Bauman, uma vez que não é capaz de promover, de forma plena, a alfabetização de sua nação. Nesse ínterim, enquanto a negligência no ensino fundamental se mantiver constante, a amada pátria sofrerá com a fragilização do pensamento crítico de seu povo.
Um outro ponto a ser abordado é a necessidade de incentivar o deleite pela leitura. A esse respeito, o poeta modernista Carlos Drumont de Andrade afirmou: “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede”. Dentro dessa perspectiva, é preciso que cada indivíduo aprenda que a o ato de ler é muito mais profundo que o mero processo de decodificação de letras, mas é, potencialmente, uma fonte inesgotável de prazer, sabedoria e oportunidades e, por isso, deve ser incentivado à essa maravilhosa prática.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que as alternativas para reduzir o analfabetismo funcional sejam colocadas em prática. Para tal, o Ministério da Educação “MEC” deverá criar o projeto “Ler é fácil”. Tal ação terá como objetivo incluir na grade curricular das crianças e adolescentes livros como os da franquia “Harry Potter” que consigam se conectar facilmente com tal público. Além disso, as escolas deverão ofertar oficinas de leitura e interpretação de texto associados ao teatro e a música. O objetivo dessas ações é tornar o ato de ler, nos primeiros anos da escolarização, algo puramente prazeroso. Espera-se com isso, que em alguns anos essas crianças possam desenvolver a capacidade de interpretar com criticidade, reduzindo assim o alarmante quadro de analfabetismo funcional que assola a nação. Nesse novo contexto, o Brasil deixará de ver em suas crianças exemplos como a do seriado “Chaves”, uma vez que na vida real esse tipo de problema não tem graça e revela uma sociedade problemática.