Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 15/10/2020

A incompreensão da vida

No filme “Central do Brasil”, estrelado por Fernanda Montenegro, é retratado a vida de Dora, uma mulher que escreve cartas a pedido de analfabetos em uma estação de trem carioca. Nesse sentido, a trama exibe como essa parcela iletrada é dependente da protagonista no que diz respeito à comunicação com parentes e amigos distantes. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pelo longa pode ser relacionada ao Brasil atual: ainda hoje, o analfabetismo exerce grande influência no cenário nacional. Sendo assim, faz-se mister compreender como o mundo tecnológico hodierno contribui para a manutenção dessa mazela social e quais os impactos que ela gera para a sociedade.

Em primeiro plano, a internet é propulsora do avanço da camada populacional inapta a depreender textos simples. Diante disso, há o “Mito da Caverna”, de Platão, que narra a vivência de um grupo de pessoas acorrentadas a uma morada subterrânea e que, por isso, são completamente afastadas do saber externo. Analogamente à tese do filósofo, o ciberespaço atua como correntes, diminuindo a capacidade interpretativa do indivíduo por priorizar publicações curtas e objetivas. Isso é potencializado pelo fato de o uso das plataformas digitais ser, muitas vezes, priorizado em relação à leitura de livros. Logo, a tecnologia limita o pensamento crítico popular, dificultando o fim do analfabetismo funcional.

Além disso, menciona-se como o entendimento textual é fundamental para a formação cidadã plena. Nesse contexto, destaca-se o postulado de Monteiro Lobato, o qual afirma que “quem mal lê, mal fala, mal ouve e mal vê”. Dessa forma, o autor expõe que sem uma decodificação textual eficiente não é possível dialogar criticamente nem entender a realidade ao redor de forma consciente. Assim, o indivíduo leigo é inábil quanto a realização de ações que transformem a experiência brasileira, já que está absorto em uma condição de passividade e dominação. Por conseguinte, faz-se urgente a promoção de alternativas que combatam o analfabetismo funcional no país.

Portanto, a fim de amenizar e reverter tal quadro, o Ministério da Educação deve inserir a interpretação de texto como disciplina obrigatória da Base Nacional Comum Curricular, honrando as propostas do Plano Nacional do Livro e da Leitura. Isso será possível por meio da parceria com escolas e atestará o desenvolvimento de cidadãos questionadores, como é previsto nos Parâmetros Nacionais Curriculares. Ademais, a Agência Nacional de Telecomunicações, a partir da cooperação com a mídia, precisa promover campanhas que despertem o senso crítico popular acerca da importância da leitura para a compreensão do mundo, reforçando ações voltadas a esse espectro, como a “Leia Para Uma Criança”. Desse modo, garantir-se-ia distância do analfabetismo evidenciado em “Central do Brasil”.