Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 19/10/2020

Icebergs, grandes porções de gelo que se despendem de calotas polares, mas que apresentam apenas 20% de sua massa visível, enquanto os outros 80% estão submersos. A isso se assemelha o analfabetismo funcional, no qual muito, com o pouco domínio da língua, conseguem até decifrar palavras, todavia, a leitura e sua interpretação não são atingidos integralmente, seja pela falta de escolaridade ou pela carência de prática. Esse fato corrobora para a disseminação de “fake news”, além ainda de dificultar a transmissão de conhecimento entre as pessoas.

Em primeiro plano, é natural que pessoas que não conseguem interpretar plenamente um texto propaguem notícias sem conseguir avaliar a sua veracidade. Isso se intensifica com o dado do site Administradores de que cerca de 50% dos brasileiros entre 15 e 64 anos, apesar de saber ler e escrever, sentem dificuldades na interpretação textual. Nesse sentido, observa-se que, mesmo sem ter compreensão total de uma manchete, mas entendendo palavras fora do contexto, a pessoa tende a disseminar essas notícias de caráter duvidoso, ainda mais ao considerar a utilização de manchetes sensacionalistas por parte dos criadores desse tipo de conteúdo.

Ademais, a história de um local é prejudicada pelo analfabetismo funcional, de forma que qualquer informação precise ser transmitida oralmente. Essa situação é ilustrada com o pensamento do filósofo chinês Confúcio de que para prever o futuro é necessário estudar o passado; mas se uma pessoa não possuir o pleno domínio da língua e registrá-la de maneira fora da norma culta, a história de um  povo permitirá diversas interpretações, e, se propagada apenas através da fala, possivelmente será perdida, de maneira a não poder ser útil na busca por informações sobre o futuro.

Sendo assim, fazem-se necessárias ações governamentais de combate ao analfabetismo funcional. A princípio, cabe ao Ministério da Educação, por meio de parcerias com as faculdades de letras, ofertar cursos de leitura à população, estimulando-os independentemente da idade a alcançarem uma interpretação textual decente, alertando ainda sobre as “fake news”, para que assim, a propagação de notícias falsas por meio de analfabetos funcionais diminua. Além disso, as prefeituras de cada cidade  deveriam, por meio de palestras, incentivar as famílias aos estudos, seja no ensino regular ou no supletivo, para que dessa maneira, a propagação do conhecimento possa ser tanto oralmente quanto através da leitura, e ocorra de forma integral. Se tudo isso for feito, então os icebergs voltarão a ser apenas mais um elemento geográfico, e não mais uma associação ao analfabetismo funcional.