Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 20/10/2020

Segundo o filósofo Jürgen Habermas, a ação comunicativa é fundamental para a compreensão e a argumentação entre indivíduos. No que tange ao analfabetismo, este impediria a real comunicação e apreensão de sentidos nos diálogos e leituras, prejudicando o exercício da democracia e da liberdade de expressão. No Brasil, constata-se que o Estado é omisso em promover uma educação inclusiva e que combata o analfabetismo em sua forma plena ou funcional. Assim, faz-se necessário solucionar tal problemática, a fim de garantir uma sociedade verdadeiramente participativa e inclusiva.

A priori, verifica-se que a gestão estatal é falha em promover uma educação reflexiva e que reduza o analfabetismo. O filósofo Immanuel Kant define a maioridade como a capacidade de tomar decisões autonomamente, sem a ajuda de tutores, o que poderia ser alcançado por meio da educação. No entanto, se não obtiver o esclarecimento, o indivíduo permanece no estado de minoridade, no qual é incapaz de decidir e interpretar informações sozinho, o que o leva a depender de outros. O sistema educacional brasileiro é ineficaz em promover o letramento, o que mantém parte da população numa constante dependência de pessoas alfabetizadas, comprometendo sua autonomia. Portanto, faz-se necessária uma reforma na educação, a fim de garantir o acesso de todos a um ensino de qualidade.

Por consequência, parte da população torna-se alienada e incapaz de interpretar notícias e textos e

pode ser mais facilmente manipulada. A inaptidão de relacionar conceitos e informações é prejudicial à democracia : apesar de analfabetos plenos não votarem, os funcionais são aptos, porém, não possuem a habilidade de discernir as propostas e debater, a fim de pôr suas ideias em prática. Dessa forma, sendo prejudicial à inclusão social e às instituições democráticas, o analfabetismo deve ser combatido, a fim de integrar a população.

Para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Educação reforme o sistema educacional, atuando na Base Nacional Comum Curricular, a fim de promover a reflexão e a interpretação nos alunos. Isso poderia ser feito por meio da inclusão de mais aulas de filosofia e sociologia, matérias que têm a capacidade de suscitar a racionalidade e o pensamento investigativo, essenciais à alfabetização completa. Além disso, o órgão deve, também, enviar professores a comunidades carentes, a fim de alfabetizar adultos e idosos. Assim, amenizar-se-á o analfabetismo no Brasil, possibilitando a chegada da nação à maioridade Kantiana.