Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 24/10/2020
Na obra pré-modernista “Triste fim de Poliquarpo Quaresma”, do Escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura percebe-se que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que, o tecido social brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles o aumento do analfabetismo funcional na população. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto do desleixo do Estado quanto do silenciamento pessoal.
Deve-se analisar, precipuamente, que o desinteresse do Estado é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse viés, evidencia-se a falta de políticas públicas suficientemente efetivas para erradicar o analfabetismo funcional no Brasil. Diante desse diapasão, sabe-se que esse sentido é comprovado pelo papel passivo que o Ministério da Educação exerce na administração do país. Nessa égide, é visível que tal órgão, intitulado para promover a potencialização do ensino público, ignora ações que poderiam realmente fomentar a funcionalidade do aprendizado entre todos os indivíduos. Desse modo, o governo atua como agente perpetuador do analfabetismo funcional. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente .
É vital salientar, ainda, em segundo plano, que a persistência do analfabetismo funcional encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição dizendo que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a exclusão desse bloqueio de aprendizagem entre os alunos, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna, no que se refere a esse questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do MEC, o Brasil possui 38 milhões de pessoas com analfabetismo funcional. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e debatê-la, amplamente, aumentaria a chance de atuação nela.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com o Ministério da Educação, por meio de ações: inserção de psicólogos nas instituições de escolares, projetos mais amplos de ensinos, como por exemplo, gincanas educacionais, aulas práticas fora do âmbito escolar e trabalhos científicos entre os alunos, para que, de tal forma, o ensino possa se tornar mais satisfatório sem a pressão educacional. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação brasileira.