Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 26/10/2020

A Constituição de 1988 foi a primeira a abolir o veto de direito ao voto aos analfabetos, o que provocou a inclusão desses cidadãos na vida política e acabou com o longo regime de manipulação  governamental sobre eles, antes privados de escolher seus representantes. Contudo, há um novo problema a ser enfrentado no Brasil: o analfabetismo funcional, condição que, apesar de permitir que o indivíduo leia, o impede de compreender e analisar a mensagem proposta. Com isso, é preciso debater acerca da configuração do sistema de ensino atual e da importância da interpretação de texto nessa conjuntura para, assim, formular meios de proporcionar a todos o pleno acesso à alfabetização.

Em primeiro plano, é lúcido afirmar que a antiga crença de que a escola tem como único propósito ensinar as matérias tradicionais influencia diretamente o modelo educacional vigente, o qual, muitas vezes, oferece um tratamento deficitário aos alunos com dificuldade e insiste em medir a inteligência dos estudantes por meio de testes metódicos. Analogamente, o filme “Sociedade dos Poetas Mortos” aborda a mesma problemática, uma vez que retrata um professor de métodos inovadores, que trabalha num renomado colégio, onde os outros docentes criticam o caráter lúdico de suas aulas. Sob tal óptica, depreende-se a necessidade de reformular o formato do ensino como forma de priorizar o real aprendizado, que deve vir não pela assimilação de conteúdos técnicos pelos alunos, e sim por debates em classe e exercícios de interpretação textual.

Em segundo plano, é válido frisar que o analfabetismo funcional prejudica a formação do senso crítico do indivíduo, uma vez que a leitura está ligada ao acesso à informação, que, por sua vez, molda a maneira de pensar de uma pessoa. Em vista disso, o livro “Fahrenheit 451” retrata uma sociedade distópica na qual livros são incendiados e proibidos, o que provoca a alienação generalizada do povo, que acaba carente de um pensamento autônomo. Por conseguinte, é essencial que essa condição seja combatida para que a população não se torne uma mera massa de manobra sem o devido conhecimento e possa, assim, lutar ativamente no curso de sua história, como ocorreu no Movimento de Maio 1968, na França, onde estudantes mobilizaram-se para protestar contra a Guerra Fria.

Em suma, são necessárias medidas que contemplem toda a população a fim de reduzir o analfabetismo de caráter funcional. Dessa forma, é fundamental que o Ministério da Educação implemente o ensino de uma nova matéria, desde o ensino básico, por meio de atividades que estimulem a interpretação, a análise e a produção textual, além de debates acerca de temas atuais e sua relação com fatos históricos. Assim, será possível democratizar a alfabetização legítima entre os brasileiros, que terão uma participação mais eficiente na esfera política e social.