Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 27/10/2020

A Constituição de 1988 foi a primeira a abolir o veto de direito ao voto aos analfabetos, o que provocou a inclusão desses cidadãos na vida política e acabou com o longo regime de manipulação governamental sobre eles, antes privados de escolher seus representantes. Contudo, há um novo problema a ser enfrentado no Brasil: o analfabetismo funcional, condição que, apesar de permitir que o indivíduo leia, o impede de compreender e analisar a mensagem proposta. Com isso, é preciso debater acerca da configuração do sistema de ensino atual e da importância da interpretação de texto nessa conjuntura para, assim, formular meios de proporcionar a todos o pleno acesso à alfabetização.

Em primeiro plano, é lúcido afirmar que, de acordo com o educador Paulo Freire, a crença de que o colégio tem como único propósito ensinar as matérias tradicionais constitui-se como uma ideia ultrapassada, uma vez que os estudantes, ao serem preparados apenas para memorizar informações, acabam carentes do conhecimento empírico, o que os impossibilita de tomar as rédeas da própria vida. Paralelamente, o filme “Sociedade dos Poetas Mortos” aborda a mesma problemática, pois retrata um professor de métodos inovadores, que trabalha numa renomada escola, onde os outros docentes o criticam pelo caráter lúdico de suas aulas. Sob tal óptica, nota-se a necessidade de reformular o formato do ensino como forma de priorizar o real aprendizado, que deve vir não pela assimilação de conteúdos técnicos pelos alunos, e sim pelo exercício de debates e interpretação de texto.

Em segundo plano, é válido frisar que o analfabetismo funcional prejudica a formação do senso crítico do indivíduo, uma vez que a leitura está ligada ao acesso à informação, que, por sua vez, molda a maneira de pensar. Em vista disso, o livro “Fahrenheit 451” retrata uma sociedade distópica na qual livros são incendiados e proibidos de circular, o que provoca a alienação generalizada do povo, que acaba carente de um pensamento autônomo. Por conseguinte, é essencial que essa condição seja combatida para que a população não se torne uma mera massa de manobra sem o devido conhecimento e possa, assim, lutar ativamente no curso de sua história, como ocorreu no Movimento de Maio 1968, na França, onde estudantes mobilizaram-se para protestar contra a Guerra Fria.

Em suma, são necessárias medidas que contemplem toda a população a fim de reduzir o analfabetismo funcional. Dessa forma, é fundamental que o Ministério da Educação implemente o ensino de uma nova matéria, desde o ensino básico, por meio de atividades que estimulem a interpretação, a análise e a produção textual, além de debates acerca de temas atuais e sua relação com fatos históricos a fim de democratizar a alfabetização legítima e o pensamento autônomo entre os estudantes. Assim, será possível uma maior participação dos brasileiros nas esferas política e social.