Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 30/10/2020

Ainda que a taxa de analfabetismo no Brasil tenha diminuído muito, sendo que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente o índice de analfabetos é de aproximadamente 6,6%, o problema do país agora é outro: os chamados analfabetos funcionais. Estes possuem muita dificuldade de interpretação de texto e matemática básica e são maioria esmagadora dentro do contexto contemporâneo brasileiro. Este dado pode ser identificado de acordo com o desempenho do país no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA): o Brasil se encontra na posição 57 no quesito leitura e interpretação de textos e apenas 2% dos alunos brasileiros possuem desempenho ótimo nesse tópico avaliativo.

Indubitavelmente, o contexto histórico brasileiro e o sistema capitalista são de extrema importância para compreender a causa do analfabetismo funcional. Desde que a educação básica tornou-se um produto, a educação pública do país é sucateada e, nesse cenário, a maioria da população não possuindo capital para bancar uma escola particular, se forma sem saber ou compreender coisas básicas se não as buscar por conta própria, como a leitura, por exemplo, que é raramente incentivada dentro da escola e, se é, pula diversas etapas de aprendizagem, fazendo com que os alunos percam o interesse pela atividade.

O patrono da educação brasileira, Paulo Freire, afirmou que “A Educação, qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática.”, frase que pode ser relacionada à famosa citação de que a prática leva a perfeição. O grande obstáculo para superação do analfabetismo rudimentar no Brasil, relacionando-o com problemas de interpretação textual, é que esta não é praticada; a frequência de leitura do povo brasileiro é de menos de 5 livros por ano, sendo apenas 2 lidos completamente. Como pode toda uma sociedade ter prática em interpretação se não a exercita no dia a dia?

Tendo em vista isso, existem diversas maneiras individualistas de resolver este problema, como o incentivo da leitura desde o berço, entretanto, por ser uma questão coletiva, a solução exige órgãos governamentais trabalhando juntos para a mudança desta realidade. O Ministério da Educação deve adicionar a literatura como matéria obrigatória desde o primeiro ano do ensino fundamental, incluindo nesta idas à biblioteca municipal, discussões literárias, contação de história por profissionais da área, aprendizagem da importância do livro para a cultura e leitura coletiva de grandes obras adaptadas para o público infantil. Por meio desse conhecimento prévio, a leitura e interpretação fazendo parte da grade curricular desde cedo estimula o interesse literário ao longo dos anos e auxilia na interpretação de textos que vão ficando mais complexos exponencialmente ao longo do tempo; a única maneira de evitar esse analfabetismo para as próximas gerações é com tal investimento de base.