Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 30/10/2020
Na civilização antiga dos sumérios, o entendimento da escrita cuneiforme era socialmente desigual, uma vez que seu acesso estava restrito às elites locais. Paralelamente, os altos índices de analfabetismo funcional no Brasil contemporâneo evidenciam que essa desigualdade educacional ainda reverbera nos dias de hoje. A esse respeito, vale destacar a baixa qualidade do ensino e a inoperância estatal.
Em primeiro lugar, a educação brasileira, de modo geral, é extremamente precária, haja vista a existência de inúmeros problemas, como facilidades de aprovação, deficiências infraestruturais e ensino básico insatisfatório. Consequentemente, as escolas nacionais não cumprem suas funções sociais de modo eficaz, como apontam dados coletados pelo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), que revelam que mais de 13% dos brasileiros formados no ensino médio são analfabetos funcionais. Dessa forma, é urgente que ocorram reformas educacionais voltadas ao solucionamento dessa realidade perversa.
Além disso, o Brasil, desde 1889, adotou o ideal iluminista e republicano no plano instrucional, que defende a obrigatoriedade do Estado em garantir o acesso à educação formal (vista como equilibradora de oportunidades). Contudo, a carência de medidas governamentais que visem atender a população adulta analfabeta e combater essa mazela social, comprova que essa prerrogativa dos séculos XVIII e XIX não é efetivamente praticada no país. Sendo assim, é inadmissível que descasos estatais continuem sendo empecilhos às formações pessoal e profissional dos brasileiros.
Dessarte, as escolas públicas e privadas, por meio de parcerias com o Ministério da Educação, devem, além de investir em infraestrutura em casos de prédios sucateados, realizar profundas reformas curriculares, que, intensificando o ensino básico e reformulando as metodologias pedagógicas, priorizem a interpretação de textos e os cálculos básicos, a fim de reduzir o analfabetismo dos jovens. Ademais, é papel do Governo Federal, por intermédio da averiguação das localidades que mais possuam adultos analfabetos, criar núcleos físicos de educação básica e alfabetização gratuita, o que amenizará as desigualdades educacionais e ampliará as oportunidades profissionais desses indivíduos. Assim, o Brasil estará mais distante da realidade dos povos sumérios.