Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 02/11/2020

A Carta Constitucional de 1988 assegura o acesso à educação e ao bem-estar social como um direito fundamental a todo cidadão. No entanto, nota-se que não há o exercício pleno dessa garantia, uma vez que o analfabetismo funcional, infelizmente, é uma realidade recorrente. Dessa maneira, esse cenário é mantido no Brasil devido não só a transgressão da lei, mas também em razão de uma educação deficitária.

Primeiramente, é relevante abordar que o Poder Público ao negligenciar a garantia de um ensino de qualidade eficiente, em razão da ausência de amparo às instituições educacionais favorece a persistência da problemática. Desse modo, o escritor Gilberto Dimenstein, disserta a respeito da inefetividade dos direitos constitucionais, posto que esses estão presentes apenas na teoria. Nessa lógica, essa precariedade do sistema educacional no que tange a falta de recursos destinado às atividades de leitura e escrita, gera-se como consequência que as escolas não desenvolve mecanismo para atenuar as dificuldades dos alunos no processo de aprendizagem. Assim, o sistema de alfabetização torna-se ineficaz, e o analfabeto funcional não possui incentivo e recursos para sair desse quadro, o que faz com que a realidade social pactue com a teoria do escritor, pois as cidadanias estabelecidas na Constituição brasileira não são executadas.

Ademais, é fundamental compreender que a transmissão do conhecimento e a memorização ‘’mecânica’’ promove a disseminação do analfabetismo funcional brasileiro. Nesse viés, o pedagogo Paulo Freire, discorre a respeito de uma pedagogia dialógica que contribua para um ensino transformador, na qual possibilita a capacidade reflexiva e libertadora do indivíduo, participando de maneira ativa nas práticas educacionais. Entretanto, lamentavelmente, essa didática está em decadência no Brasil, em virtude de uma educação conservadora em que transmite conteúdos tecnicista e o estudante não desenvolve suas habilidades, mantendo-se como um espectador de seu processo de aprendizagem. Por conseguinte, é imprescindível que haja mudanças para que o aluno seja protagonista de seu ensino, a fim de permanecer em conformidade com o método freiriano.

Diante dos fatos mencionados, constata-se que a base educacional de qualidade é primordial para o progresso do país. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação, instância máxima da administração dos aspectos educacionais no Brasil, investir em materiais didáticos, como também elaborar um projeto no âmbito pedagógico ligado à desconstrução de uma visão arcaica em que somente o professor possui autonomia para transmitir o seu conhecimento, por intermédio das instituições educacionais. Com isso, o proposto pela Constituição Federal será efetivado com êxito.