Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 03/11/2020
O analfabetismo funcional se caracteriza quando o indivíduo, embora reconheça números, símbolos e letras, não desenvolve habilidades de leitura, escrita, interpretação de textos e realização de operações matemáticas que sejam compatíveis com a sua escolaridade. Quem se encontra nessa situação tem o desenvolvimento pessoal, social e profissional comprometidos por fatores ligados à exclusão, discriminação e dificuldade de comunicação. Uma pesquisa, realizada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa, revelou dados da oitava edição do Indicador de Analfabetismo Funcional, o Inaf, cujos resultados são alarmantes.
De acordo com o Inaf a alfabetização pode ser caracterizada em quatro níveis: analfabetos, alfabetizados em nível rudimentar (ambos considerados analfabetos funcionais), alfabetizados em nível básico e alfabetizados em nível pleno (esses dois últimos considerados indivíduos alfabetizados funcionalmente). Conforme a pesquisa, que aplica um teste avaliando as habilidades de leitura, escrita e matemática, o domínio da leitura vêm sofrendo queda entre os entrevistados. Os dados mostram que o problema do analfabetismo funcional deve ser levado a sério no país, pois a dificuldade de compreensão dos gêneros textuais pode afetar no desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo.
O letramento é uma das soluções para a erradicação do analfabetismo funcional, pois extrapola a visão tecnicista de alfabetização Embora o número de analfabetos tenha diminuído no Brasil nos últimos quinze anos, o analfabetismo funcional ainda é um fantasma que atinge até mesmo estudantes que frequentam o ensino superior, desfazendo o mito de que ele estaria intrinsecamente relacionado à baixa escolaridade. As pesquisas desenvolvidas sobre o índice de analfabetismo funcional no país são de extrema importância, já que promovem o debate entre diversos grupos sociais responsáveis por desenvolver um novo parâmetro educacional a partir da discussão das causas e efeitos do Inaf.
Desenvolver métodos que priorizem o letramento é fundamental para que o analfabetismo funcional seja superado, e para isso é inquestionável a importância do trabalho conjunto entre pais e professores. Engana-se quem acredita que cabe somente à escola o papel de alfabetizar e letrar, visto que o letramento é uma prática presente em diversas situações do cotidiano, envolvendo não apenas a leitura tecnicista de textos, mas também o desenvolvimento da criticidade e capacidade de elaborar opiniões próprias diante dos conteúdos acessados. A aprendizagem deve ser universalizada, propiciando assim que todos os leitores atinjam o nível pleno da alfabetização funcional.