Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 04/11/2020

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, atualmente, há cerca de 38 milhões de analfabetos funcionais no Brasil. O analfabetismo funcional se caracteriza pela carência nas habilidades de interpretação de texto, hábitos de leitura, escrita e operações matemáticas. O indivíduo que se encontra nessa situação compromete a sua vida profissiona e pessoal, visto que ele enfrenta a dificuldade na comunicação, a exclusão e discriminação social. Tal problemática apresentada deve ser reconhecida como fruto da desigualdade educacional e a elitização do ensino que reverbera desde a civilização antiga.

Na concepção durkheimiana, a construção do ser social é formada pela educação. Para ele, “a educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta”, ou seja, o processo educacional resulta no desenvolvimento da sociedade como um todo. Cabe salientar que está previsto na Constituição Federal de 1988 que é dever do Estado suprir qualquer carência na esfera da educação, além de promover o ensino básico de qualidade à população. Contudo,  o número de analfabetos no Brasil que são incapazes de interpretar um texto de forma plena, mostra que tais regulamentações não estão sendo efetivamente aplicadas. Por consequência, dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF) apontam que 38% dos estudantes são incapazes de localizar informações e compreender textos curtos, mesmo no ensino superior.

Consoante o filósofo alemão  Arthur Schopenhauer, o entendimento de um indivíduo a respeito do mundo ao seu redor é determinado pelos limites do seu conhecimento. Logo, se a população não tem acesso à uma educação de qualidade e são ignorantes quanto às informações ocorrentes em seu meio, sua percepção de mundo será limitada e ela facilmente acreditará em qualquer notícia que lhe for apresentada, mesmo sendo ela falsa.

Perante isso, é dever do Estado juntamente com o Ministério da Educação, como órgão responsável por zelar a qualidade do ensino e a integração do mesmo, investir efetivamente na base e infraestrutura da educação e reformular o ensino básico, por meio de metodologias pedagógicas que visem o conhecimento sobre interpretação textual, cálculos simples e a argumentação. Visando assim, uma redução do analfabetismo funcional no Brasil e tendo como efeito dessa regulamentação a construção do ser social e uma educação igualitária.