Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 04/11/2020
Analfabetismo funcional é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples. Tais pessoas, mesmo capacitadas a decodificar minimamente as letras, geralmente frases, textos curtos e os números, não desenvolvem habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas. Apesar do amplo contingente populacional e das tentativas de diminuir esse número na sociedade, esses brasileiros não dispõem de alternativas viáveis para solucionar o problema.
Primeiramente, é importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 assegura que é dever do Estado promover o pleno desenvolvimento educacional dos brasileiros. Contudo, no Brasil, conforme pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, 50% dos entrevistados declararam não ler livros por não conseguirem compreender seu conteúdo, embora sejam tecnicamente alfabetizados. Assim, é possível entender que tais direitos não estão sendo compridos. Sendo mister ressaltar que, o analfabetismo funcional é um fantasma que atinge até mesmo estudantes que frequentam o ensino superior, desfazendo o mito de que ele estaria intrinsecamente relacionado à baixa escolaridade.
O livro Analfabeto: problema social e desonra pessoal (Eduff), da doutora em Antropologia, Tatiana Cipiniuk, revela os dramas sociais de indivíduos que não sabem ler e/ou escrever. No qual, essas pessoas enfrentam muitos problemas, que vão desde a dificuldade em interpretar um simples texto, até os percalços em encontrar emprego, ambas as situações prejudicam o desenvolvimento intelectual e profissional do indivíduo. No livro, a autora registrou experiências de alunos que frequentam aulas públicas de alfabetização à noite, no Rio de Janeiro, e aponta que esse aprendizado “tardio” é uma forma do não letrado se libertar da discriminação de ignorante – o que que não é. Uma vez que a pessoa pode não saber ler e escrever, mas deve possuir conhecimentos e habilidades tão valiosas quanto.
Dessarte, é necessária a criação de um fundo de investimento social pelo Governo Federal, financiado com recursos públicos e através de incentivos fiscais, para a ampliação de investimentos em educação com foco na alfabetização e, desse modo, permitir uma aprendizagem plena. Ademais, escolas e universidades podem promover o incentivo à leitura, por meio de grupos de estudo, palestras e campanhas, com vistas à redução do problema em questão.