Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 05/11/2020

Analfabetismo funcional: um problema em pleno século XXI

A cada ano, no dia 8 de setembro, comemora-se o dia Mundial (ou Internacional) da Alfabetização. Essa data foi instituída no século passado (em 1966) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), para incentivar o pleno letramento da população internacional. Sabe-se que a alfabetização é a porta para a educação, que deve ser mantida aberta ao longo de toda a vida. Entretanto, em pleno século XXI, de acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), elaborado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa, três entre cada dez brasileiros têm limitações para ler, interpretar textos, identificar ironia e fazer operações matemáticas em situações da vida cotidiana. São os considerados analfabetos funcionais.

Além de acompanhar os níveis de analfabetismo no Brasil em uma série histórica desde 2001, o Inaf trouxe em 2018, pela primeira vez, informações relacionadas ao contexto digital (de acordo com reportagem de Vanessa Fajardo para a BBC News Brasil publicada em 12/11/2018). Os resultados da pesquisa mostram que o analfabetismo funcional não impede o uso das redes sociais. Entre os analfabetos funcionais, 86% usam WhatsApp, 72% são adeptos do Facebook e 31% têm conta no Instagram. Por outro lado, entre os considerados proficientes, 89% usam o WhatsApp. O que muda entre os dois grupos é o uso que é feito da rede. Um analfabeto funcional não usa as redes para obter informações ou identificar seus direitos, pois não tem um completo entendimento do conteúdo a que acessam. Tampouco será capaz de diferenciar facilmente o que é fato do que é opinião, ficando mais facilmente sujeito à manipulação. Mas há um lado positivo no uso das redes, de acordo com a pesquisadora Ana Lima, responsável pela elaboração do Inaf: “O Facebook está cheio de textos, imagens, exige escrita, por isso revela uma potência desses suportes digitais como estimulador do avanço do alfabetismo".

Ainda hoje, o analfabetismo funcional é um dos grandes problemas a serem enfrentados pelo Brasil quando o assunto é educação. Apenas o estímulo das redes para avançar o alfabetismo, na forma discutida acima, não o resolverá. Para melhorar o nível de proficiência, uma educação de qualidade é necessária. Isso passa pelo preparo dos professores, os quais precisam estimular a leitura em seus alunos, além de promover a capacidade de argumentação e debate. Interpretação de texto é fundamental nas atividades a serem desenvolvidas. Porém, para oferecer uma educação de qualidade, é crucial o estabelecimento de uma política educacional coerente e integrada, em que o Ministério da Educação atue em conjunto com as Secretarias estaduais e municipais de educação.