Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 05/11/2020

Regresso educacional

Desde as civilizações antigas o acesso à escrita, aos estudos e às faculdades sempre foi socialmente desigual, seu acesso estava restrito normalmente à nobreza e ao clero. Paralelo a isso, mesmo com centenas de anos de diferença, o Brasil enfrenta uma situação semelhante, com altos índices de analfabetismo funcional. Dito isso, a falta de valorização do professor e o sistema educacional tornam -se problemas de máxima urgência no país.

Primeiramente, é necessário destacar que no artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é garantida, visando o desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania. Entretanto, diversos fatores como o descaso do governo, a falta de infraestrutura e a desigualdade social criaram um sistema completamente precário de ensino. Essa precariedade resultou em trinta e cinco milhões de analfabetos funcionais, segundo os dados do IBOPE em 2005, ou seja, milhões de pessoas que apresentam dificuldade em ler textos simples e interpretar gráficos. Dificuldades como essas só reforçam a importância da educação, pequenas ações como votar, por exemplo, dependem de uma alfabetização correta. O Ministério da Educação é o segundo ministério que recebe mais verba, perdendo apenas para o da saúde, essa verba se destinada para fins errados, acaba por comprometer milhões de vidas que não terão acesso a uma boa educação.

Além de falhas econômicas, o Brasil também enfrenta um modelo de ensino arcaico e ineficaz, em que os alunos frequentam a escola, porém não absorvem o conhecimento. Darcy Ribeiro, um historiador e antropólogo brasileiro, propõe o conceito de “Pacto de mediocridade”, em que o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende. Professores que, desmotivados pelos salários baixos e condições de trabalho precárias, apenas reproduzem o conteúdo sem estimular o pensamento crítico e autônomo dos alunos. A falta do pensamento crítico pode ser facilmente identificada no mercado de trabalho, segundo a Manpower com dados de 2018, 43% das empresas brasileiras têm dificuldade em contratar funcionários e o motivo é justamente a escassez de talentos.

Diante desse cenário, visando superar os índices de analfabetismo funcional, o Ministério da Educação, as secretarias estaduais de educação e o Ministério da Cultura devem se unir para criar projetos de incentivo à leitura para a população. Por meio de festivais literários, oficinas de escrita, saraus, contação de histórias, clubes do livro, criação de novas bibliotecas públicas e intepretações teatrais de determinadas obras. Tudo isso para que o cidadão adquira o hábito da leitura, melhore sua capacidade de interpretação e escrita, além de despertar o lado criativo e crítico do indivíduo.