Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 12/11/2020

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Nesse sentido, a ficção mitológica pode ser relacionada a realidade do Brasil, o qual ainda enfrenta desafios para superar o analfabetismo funcional em sociedade. Essa realidade se deve, essencialmente, a uma estrutura arcaica de ensino, bem como de uma negligência estatal frente a problemática.

Em primeiro plano, convém ressaltar o modelo arcaico de ensino como um dos impulsionadores do impasse. Sob esse viés, segundo Rubem Alves, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, haja vista que podem proporcionar voos ou condições de desinteresse. Nesse contexto, o modelo tradicional de metodologia, ou seja, aquele que é pautado como a escola sendo um templo e o professor o único detentor de conhecimento, dificulta a dinamização das aulas e das relações entre indivíduos e o mundo interpretativo. Dessa forma, tal cenário impede a abertura da construção do senso crítico dos alunos, os quais tornam-se incapazes de realizar interpretações textuais e cálculos matemáticos.

De outra parte, é preciso pontuar as indiligências governamentais diante dessa questão. A esse respeito, de acordo com Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. Analogamente, é possível perceber que, no Brasil, o analfabetismo funcional rompe essa harmonia, uma vez que o país não dispõe de uma atividade avaliativa que avaliem as noções de interpretação e cálculos básicos dos alunos, o que corrobora para o aumento do número de discentes que concluem o ensino médio incapazes de realizar exercícios básicos de ensino. Todavia, em contraste, uma maior reestruturação no âmbito educacional é necessária para atender a essas necessidades.

Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Acerca disso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), agente responsável pelos aspectos educacionais, promover mudanças no modelo arcaico de ensino do país, por meio da dinamização das aulas através de debates em sala de aula, incentivos a leitura e execução de cálculos matemáticos, com objetivo de construir o senso crítico nos alunos, superando os desafios do analfabetismo. Ademais, urge ao Governo Federal a adoção de avaliações anuais nas instituições de ensino, as quais visem analisar o desenvolvimento do aluno nas atividades básicas, sob advertências a aquelas escolas que não cumprirem com tal ação. Desse modo, os Sísifos brasileiros vencerão os Zeus do analfabetismo.