Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 14/11/2020

Na obra modernista “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, a realidade nordestina no Brasil é exposta com grande teor crítico. Por meio de um recorte sociológico, a vida de Fabiano, personagem principal, é intrinsecamente relacionada à falta de acesso à educação, a qual consolida seu analfabetismo. Similarmente à literatura, avigora-se no corpo social contemporâneo o analfabetismo funcional em razão de duas vertentes: a falta de investimento na educação e a evasão escolar.

A priori, é impreterível salientar que, durante o processo de formação das cidades brasileiras, houve a elitização e segregação da educação. Dessa maneira, escolas e universidades se estabeleceram próximas a centros urbanos abastados. Sob esse viés, se fortifica ainda no cenário contemporâneo a falta de investimentos na área educacional como um todo, já que em 4 anos, o país os reduziu em 56%. Destarte, portanto, a população é privada do seu direito à educação de qualidade e se martiriza com o analfabetismo funcional como consequência da ausência da preservação desse direito.

Outrossim, segundo dados do Censo Escolar de 2017, cerca de 11% dos alunos do ensino médio no Brasil abandonaram os estudos em 2014. Sob esse viés, infere-se que o processo de evasão escolar alude-se à defasagem educacional do corpo social à medida que o indivíduo compromete seu desenvolvimento cognitivo e intelectual. Dessa forma, o analfabetismo funcional se consolida na ausência da educação elementar do cidadão.

Tendo em vista os dados expostos, conclui-se a necessidade de medidas deliberativas para a dissolução da evasão escolar e da falta de acesso à educação. Isto posto, portanto, concerne ao Ministério da Educação o acompanhamento de indivíduos que tenham dificuldade no aprendizado, por meio de profissionais especializados - terapeutas e psicólogos - a fim de evitar a evasão escolar e, consequentemente, mitigar o analfabetismo funcional no país.