Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 18/12/2020
Durante o período de 1890 a 1937, a capoeira, uma autêntica manifestação artística e corporal da população negra, foi proibida no Brasil por ser vista como uma prática perigosa e promovedora da “vadiagem”. Contudo, esse tipo de atitude discriminatória não está presa ao passado, mas se perpetua na hodiernidade, como se nota no estigma contra o funk e as religiões afro-brasileiras. Sob tal ótica, o preconceito contra a cultura periférica persiste no Brasil devido à maior valorização de elementos da elite financeira, o que acarreta na violência contra os praticantes dessas manifestações.
Inicialmente, o menosprezo aos valores de um grupo é favorecido quando esses não são disseminados nas produções artísticas. De acordo com a Escola de Frankfurt, a “Indústria Cultural”, que é marcada pela produção em massa de obras de arte para o aumento do lucro, contribui para a propagação de ideais da classe dominante economicamente. Diante disso, quando se é apresentado predominantemente em filmes, novelas e músicas aspectos que se referem a visões de mundo de brancos, héteros e cristãos, essas são assimiladas como o padrão a ser seguido e as demais formas de manifestação cultural acabam sendo inferiorizadas por fugirem do paradigma. Nesse sentido, a baixa representatividade midiática das culturas periféricas faz persistir a sua marginalização.
Outrossim, a continuação do preconceito contra os hábitos e costumes das minorias sociais contribui para que elas recebam agressões. Em consonância com Pierre Bourdieu, a violência simbólica se caracteriza por não ser física, mas sim psicológica por meio de gestos, falas e atitudes opressivas, baseadas na posição social ocupada pela vítima. Dessa forma, o reconhecimento de uma pessoa como praticante de uma atividade cultural periférica, já é o suficiente para que essa sofra prejulgamentos como, “todo ‘funkeiro’ é bandido” ou “todo capoeirista é criminoso”, os quais são formas de ofensas. Dessarte, a falta de valorização das manifestações culturais não elitizadas corrobora a agressão e discriminação de seus produtores e participantes.
É mister, portanto, tomar medidas que diminuam o menosprezo contra as produções e atividades pertencentes aos grupos marginalizados socialmente. Logo, cabe ao Poder Executivo federal promover a diversidade cultural nas obras de arte, por meio da criação de incentivos fiscais para emissoras e estúdios cinematográficos que busquem incluir em suas produções músicas, vestimentas, danças e religiões de grupos indígenas e afro-brasileiros. Ademais, serão elaboradas propagandas que alertem sobre a possibilidade de violência não física por razões étnicas e sociais. Espera-se, assim, desconstruir a visão de que existe uma cultura padrão e correta, bem como conscientizar a população sobre as agressões que pode estar sofrendo ou cometendo.