Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 23/11/2020

Na música “Estudo Errado”, Gabriel, o Pensador faz uma crítica ao sistema de ensino obsoleto e ineficaz em que o aluno frequenta a escola, mas não adquire nenhum aprendizado. Semelhante ao ambiente musical, a estrutura acadêmica brasileira é falha e, por isso, o analfabetismo funcional é uma problemática hodierna. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro destacam-se o sistema tradicional desmotivador, bem como a evasão escolar.

Decerto, o modelo de ensino brasileiro, superficial e monótono, contribui para a persistência da problemática. De maneira antagônica a esse cenário, o conceito “educação bancária”, desenvolvido pelo pedagogo Paulo Freire no livro “Pedagogia da Autonomia”, afirma que o papel da escola não é somente depositar conhecimento, mas gerar no indivíduo a capacidade de ler o mundo. Nesse sentido, contrariando tal ideal, a falta de motivação dos professores e alunos, assim como os métodos de ensino invariáveis, configuram um cenário de alfabetização ineficaz. Consequentemente, apesar da frequência em que instituições de ensino, muitas pessoas não possuem as capacidades de leitura e de operações matemáticas básicas.

Paralelo a isso, a evasão escolar é outro fator a ser considerado, uma vez que o abandono dos estudos impede que a aprendizagem seja concluída. Sob tal ótica, o filme “Simplesmente Acontece” expõe a vida de Rosie, uma adolescente que engravida precocemente e, por isso, deixa de concluir o colegial. Com efeito, a realidade brasileira configura-se de forma análoga pois, segundo dados do Ministério da Educação e Cultura (MEC), a gravidez é o principal motivo de abandono estudantil. Dessa forma, sem uma rede de apoio, o jovem deixa a escola para dar sustento à criança, mas acaba se tornando um analfabeto.

Destarte, frente a provectos fatores educacionais e evasão escolar, o analfabetismo é uma problemática e necessita de soluções. Portanto, o MEC, como instância máxima dos aspectos acadêmicos brasileiros, deve adotar estratégias no tocante à forma de ensino ineficiente. Essa ação pode ser feita por meio da inserção de atividades lúdica, como teatro e projetos de leitura dinâmicas nas escolas, a fim de motivar os discentes ao hábito da leitura e, consequentemente, aumentar a proficiência e diminuir as taxas de analfabetos. Ademais, cabe aos Conselhos Tutelares em parceria com as Secretárias de Educação estaduais, desenvolver métodos de assistência aos jovens pais, como creches e ensino flexível, com o fito de reduzir o abandono das escolas. Quiçá, o “Estudo Errado” será desfeito e o analfabetismo funcional extinto.