Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 11/01/2021
O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No Meio do Caminho”, a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que o analfabetismo funcional, o qual é quando uma pessoa sabe ler e escrever, mas não consegue interpretar textos no dia a dia, configura-se em um obstáculo para os brasileiros. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto, porém com um trabalho em conjunto do Estado e da mídia pode-se resolver o problema.
Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “Ausente Contumaz”, elaborado por Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de aspectos sociais, como é o caso do analfabetismo funcional no país. A título de exemplificação, nota-se que a falta de investimentos e atenção do governo com o analfabetismo funcional acarreta em indivíduos, principalmente, em comunidades carentes, que conseguem ler textos, porém não chegam a interpretar os textos, além de obstáculos com a matemática que já é um problema bem corriqueiro no país. Tal descaso reflete no aumento da disseminação de fake news, já que, segundo o G1.com, as pessoas que não possuem um senso crítico e que não interpretam bem as notícias acabam por acreditar em qualquer coisa que lêem nas redes sociais.
Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia do linguista Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como o analfabetismo funcional de uma parcela da população. Dessa forma, é evidente que a problemática, uma vez que não abordada pela imprensa, torna-se um assunto pouco discutido no corpo social. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual precisa ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como o crescimento da disseminação de fake news, as dificuldades cotidianas enfrentadas por esses indivíduos e até o preconceito linguístico, tornem-se esquecidos das prioridades a serem solucionadas.
Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o progresso do Brasil. Destarte, cabe ao Ministério da Educação - responsável pelas políticas de ensino no país -, por meio de verbas sendo destinadas ao assunto, disponibilizar gestores especializados para identificar onde começa o imbróglio e então desenvolver políticas de ensino em redes sociais e televisão, por exemplo. Outrossim, a mídia, mediante reportagens e notícias, deve informar os cidadãos sobre a importância de saber interpretar textos e notícias em rádios, televisão, internet e redes socias. Logo, a população ficará informada do problema e da relevância dele na sociedade.