Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 01/12/2020
Ao narrar o Mito da Caverna, o filósofo grego Platão faz uso da metáfora para refletir sobre a ignorância presente na humanidade, fruto de um conhecimento de mundo limitador. Nessa perspectiva, é possível estabelecer uma relação análoga entre a alegoria platônica e a conjuntura do Brasil contemporâneo, uma vez que, devido à má qualidade do ensino básico e à falta de incentivo à leitura, o analfabetismo funcional ganha cada vez mais espaço no país. Assim, medidas interventivas tornam-se imprescindíveis.
Em primeira análise, pode-se afirmar que a ineficiência do sistema de ensino nacional é um dos fatores coniventes à problemática. É sabido que os escassos investimentos estatais destinados ao campo educacional promovem a defasagem desse setor, o que contribui para a desqualificação do ensino básico e o consequente aumento do número de analfabetos funcionais entre a população, ou seja, aqueles indivíduos que apresentam dificuldade em interpretar textos curtos e realizar operações matemáticas simples. De acordo com dados recentes do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), 21% dos brasileiros entre 15 e 64 anos se enquadram nessa definição. Dessa forma, observa-se que a incompetência governamental compromete a plena instrução de grande parcela populacional.
Ademais, cabe ressaltar a insuficiência de estímulo ao hábito leitor como agravante da situação. No filme “Escritores da Liberdade”, a protagonista, professora de uma marginalizada escola pública, enfrenta desafios ao lidar com estudantes carentes do conhecimento proveniente da leitura, analfabetos funcionais. Fora da ficção, esse cenário também faz-se presente na contemporaneidade nacional, como revela pesquisa divulgada pelo Inep, a qual mostra que 54,73% dos estudantes acima de 8 anos de idade permanecem em níveis insuficientes de leitura. Nesse sentido, compreendendo-se a leitura como a principal formadora do senso crítico e intelectual, a sua escassez na vida dos indivíduos compromete gravemente o desenvolvimento desses e por isso necessita ser encorajada.
Portanto, conclui-se que o analfabetismo funcional ainda é um impasse no Brasil. Dessarte, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de maiores investimentos, realize uma reforma no sistema educacional, instituindo novas práticas didáticas que levem o aluno a refletir e aprender de forma ativa, como a inserção de clubes de estudo interativos, atividades dinâmicas, debates e aulas destinadas exclusivamente à apreciação da leitura, com o propósito de melhorar a qualidade do ensino vigente, incentivar a prática leitora assídua e, consequentemente, superar o entrave do analfabetismo funcional no País. Assim, a metáfora de Platão poderá ser desasossiada da conjuntura brasileira contemporânea.