Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 27/11/2020

Após a Segunda Guerra Mundial,o Japão ficou proibido de desenvolver armamentos.Nesse sentido,os investimentos que seriam destinados às forças armadas foram remanejados para a educação.Opostamente, no Brasil, a displicência estatal com a gestão dos recursos do Ensino Básico e o sensacionalismo midiático culminam em um cenário de analfabetismo funcional.Portanto,é imprescindível que haja um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os impasses existentes para o desenvolvimento da proficiência na leitura e escrita sejam sanados.

A priori, consolida-se a ideia da escritora Françoise Heritier acerca de o mal iniciar com a indiferença e a resignação, baseado na conjuntura de que os políticos dos municípios, responsáveis pelo Ensino Básico, são negligentes frente à gestão dos recursos destinados às escolas. Dessarte, a compra de livros e o pagamento de professores tornam-se defasados. Nesse contexto, o conceito de “educação bancária”, proposto por Paulo Freire, faz-se evidente, à medida que, devido aos baixos salários e à escassa existência de materiais, os profissionais da educação são desmotivados a, de fato, ensinar.Por consequência, isso os faz apenas depositarem informações nas salas de aula, desencadeando a ausência de senso crítico nos alunos, já que estes são desestimulados a ler, escrever e,efetivamente, formar opinião.Assim, ocorre o analfabetismo funcional.

A posteriori, convém ressaltar a ideia de Pierre Bordeau sobre aquilo que foi criado para ser mecanismo de democracia direta não dever tornar-se mecanismo de opressão simbólica, visto que as mídias sociais - jornais e plataformas na internet - que têm o poder de democratizar a leitura e a escrita, massificam a linguagem. Dessa forma, a perda da qualidade dos conteúdos é permeada.Nesse cenário,apenas a apreensão dos escritos é propiciada, o que escassa  a compreensão dos fatos pelos analfabetos funcionais.Ademais,a população brasileira desenvolve uma limitação interpretativa e, com isso, textos básicos, como a Constituição Federal, são linguisticamente inacessíveis. Assim, além de, novamente, haver o analfabetismo funcional,a reivindicação dos direitos cidadãos é defasada.

Diante disso, é evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes. Cabe, portanto, respectivamente, aos prefeitos,que são os líderes da Educação Básica nos municípios, a criação de cursos mensais,destinados aos secretários da educação, sobre como melhor gerir os recursos destinados às escolas, bem como a criação de campanhas publicitárias de valorização aos professores, a fim de que a escassez de verbas no setor e o desestímulo dos profissionais sejam sanados; e aos graduados em Língua Portuguesa, o ensino, por meio de palestras, de como melhor desenvolver a escrita e leitura frente à mídia. Nessa linha, o analfabetismo funcional será extinto.