Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 29/11/2020
A Constituição Federal de 1988 prevê a educação como um direito de todos e dever do Estado e da família. Todavia, de acordo com o IBGE, o Brasil possui 11,5 milhões de analfabetos, ou seja, pessoas que já completaram 15 anos de idade sem aprender a ler ou escrever. Nesse viés, é necessário analisar as causas e o que pode ser feito acerca dessa problemática, uma vez que a escrita e leitura são pilares fundamentais para o crescimento profissional e para uma construção crítica pessoal da realidade. Em primeiro lugar, cabe pontuar que muitos jovens precisam abandonar os estudos para trabalhar e ajudar na renda familiar, fato esse que deixa explícito que a população de baixa renda é a mais atingida pelo analfabetismo. A desinformação gerada pelo iletrismo causa a alienação que, por sua vez, provoca no indivíduo a incapacidade crítica, dificultando sua diferenciação entre o que é verdade e o que é disseminado, muitas vezes, por pessoas sem boas intenções. Isso coloca o analfabeto numa posição similar a de Macabéa, personagem do livro A hora da estrela, que não tinha consciência de si e não sabia que fazia parte de uma engrenagem a qual ela era uma peça dispensável. Além disso, é presente no Brasil, uma educação básica precária que não incentiva e não mostra a importância da alfabetização. O aluno, já desmotivado e sem perspectiva, procura outros meios de ascensão enquanto se afasta cada vez mais da escola, local onde ele não enxerga oportunidades. Conforme afirma Adela Cortina, filósofa espanhola, as pessoas que não têm nada a oferecer são invisibilizadas. Nesse sentido, pessoas analfabetas tendem a viver às margens da sociedade, uma vez que o mercado de trabalho se torna cada vez mais competitivo e excludente. Diante do exposto, faz-se necessário que a oferta de escolarização voltada à população que não teve a oportunidade de frequentar a escola, seja por suas condições sociais ou por ausência de oferta, se torne universal e gratuita pelo Minstério da Educação, através de incentivos governamentais e encorajamento à populaçao mais pobre, a fim de diminuir a taxa de analfabetismo no Brasil e democratixar o ensino independente da idade. Por fim, uma educação básica de qualidade é condição necessária para não precisar de programas de escolarização de pessoas jovens e adultas no futuro.