Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 04/01/2021
O direito à educação de qualidade está contido na Constituição Federal do Brasil e no Artigo 4 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad). No entanto, a precariedade do ensino no país tem atrapalhado o exercício desse direito, tornando o analfabetismo funcional um problema dentro da sociedade brasileira. Nesse cenário, muitas pessoas têm seu desenvolvimento social e pessoal comprometido por fatores governamentais e familiares.
Em primeiro plano, cabe ressaltar como a oferta de um ensino básico de má qualidade desestimula o aluno durante seu período de formação escolar. Segundo o economista William Arthur Lewis, a educação nunca foi ou será uma despesa, mas sempre investimento com retorno garantido. Contudo, em muitos países, dentre eles o Brasil, ela ainda é vista como um gasto, dada a precariedade do ensino, em especial o público. Nesse sentido, o governo deixa a desejar quanto a infraestrutura das escolas que, por vezes, não possuem laboratórios de informática e ciências, salas equipadas e bibliotecas atualizadas. Logo, os estudantes acabam desinteressados em aprender.
Outrossim, a falta da literacia familiar nos lares, isto é, a prática da leitura dos pais para os filhos, também se constitui como um pilar dessa problemática. Diante disso, muitas crianças não têm o incentivo dos pais que não concluíram os estudos ou não acompanham o desenvolvimento da criança na escola. Além disso, os responsáveis legais não contam histórias e não investem em brinquedos educativos/lúdicos que estimulem o imaginário da criança. De acordo com a poeta Cecília Meirelles, “Se a criança desde cedo fosse posta em contato com obras-primas, seria possível que sua formação se processasse de modo mais perfeito.” Desse modo, uma vez que não há esse contato com a leitura, o estudante pode tornar-se analfabeto funcional.
Diante do exposto, o letramento é uma das soluções para a erradicação do analfabetismo funcional e necessita de políticas públicas. Para tanto, o Ministério da Educação deve transformar as escolas em espaços adequados ao desenvolvimento cognitivo de seus alunos por meio de investimentos monetários para a construção e revitalização de escolas públicas de ensino fundamental e médio, a fim de proporcionar uma educação de qualidade. Por fim, a família precisa incentivar e acompanhar a educação dos filhos por intermédio da cobrança da execução das atividades escolares e com a participação ativa nas reuniões de pais e mestres, objetivando melhorar o desempenho estudantil das crianças e jovens. Dessa forma, a educação poderá cumprir seu caráter amplo, democrático, plural e irrestrito, como preconiza a LDB, dentro da sociedade brasileira e diminuir os índices de analfabetismo funcional no país.