Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 04/12/2020

“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto educacional, o analfabetismo funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de prioridade e o preconceito impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.

Em primeira análise, a carência de prioridade pelo governo mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo John Locke, em sua teoria do contrato social, todas as pessoas têm direito à educação – elo construtor da identidade social. Desse modo, a realidade brasileira vai contra esse pensamento, uma vez que existe uma parcela da população que não sabe ler e escrever: os analfabetos. Nesse âmbito, o poder governamental carece de atenção para resolver esse empecilho, como recursos monetários e políticas públicas de ensino; com isso, prejudica o desenvolvimento do convívio em harmonia, gerando seres que não podem construir sua identidade socialmente aceita, fato que deve ser mudado.

Em segunda análise, o preconceito apresenta-se como outro fator que impede a erradicação do analfabetismo. De acordo com Hannah Arendt, autora de “Banalidade do mal”, o comportamento preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os cidadãos normalizam tal situação, o que pode ser comparado com a questão da discriminação dos analfabetos que, diariamente, são julgados por não saberem o alfabeto. Nesse viés, a falta de incentivo para mudar esse pensamento banal gera uma sociedade desigual de indivíduos que se sentem excluídos e não buscam uma ajuda ou uma forma de melhorar. Por isso, é necessário proporcionar a mudança de uma mentalidade opressora para uma acolhedora, com a união do corpo social e político.

Portanto, medidas são necessárias para impedir o avanço do analfabetismo. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Comunicação promover campanhas informacionais para impedir o preconceito, principalmente, com os analfabetos, com o “slogan”: ”diga não à discriminação”. Esse projeto pode ser feito por meio de colagem de cartazes próximo a semáforos, a fim de atingir o maior número de pessoas possível, resultando na reflexão, por parte dos visualizadores, de seus atos – se são preconceituosos ou não – e, assim, a melhora do convívio social existirá. Dessa forma, a limpeza do grande oceano, a fé na humanidade e o cumprimento do direito dito pelo filósofo tornar-se-ão destinos certos.