Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 09/12/2020
A Agenda 2030 - programa lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) - versa sobre a necessidade de garantir que substancial parcela da população seja alfabetizada. Nesse sentido, segundo dados do “Nexo Jornal”, embora a quantidade de pessoas que saibam ler e escrever no Brasil tenha aumentado, observa-se níveis alarmantes de pessoas que são analfabetas funcionais, ou seja, pouco compreendem e interpretam textos simples. Com efeito, o fomento da literacia familiar, bem como a redução das desigualdades sociais são de grande importância para reduzir o analfabetismo funcional no país.
A princípio, verifica-se que a inexistência de uma cultura efetiva de literacia familiar no Brasil. Nessa lógica, apesar de tal conceito ter surgido na Europa renascentista, ainda não há o absoluto estímulo à capacidade cognitiva das crianças pela família. Nesse viés, a escassez de cooperação entre pais e jovens é obstáculo para a promoção da plena alfabetização, pois famílias que realizam atividades pedagógicas como a leitura são a exceção na conjuntura brasileira. Em face disso, não é razoável que uma nação que almeja ser desenvolvida não tenha o envolvimento de toda a comunidade escolar na alfabetização e haja pessoas que não são capazes de ler e interpretar corretamente.
Outrossim, convém ressaltar que a desigualdade social é entrave para a completa instrução dos indivíduos. Sob tal ótica, são comuns situações em que jovens precisam trabalhar para garantir a sobrevivência da família e, por conseguinte, a educação deixa de ser a prioridade. Nesse contexto, tal mazela é denunciada pela música “Brasil Colônia” do grupo “Oriente” que defende que “ansiamos décimo terceiro, mas em desigualdade estamos em péssimo primeiros”, revelando que o esforço desigual pela busca de condições básicas de subsistência impede a resolução dos problemas do país. Desse modo, o acesso a alfabetização é equitativo, uma vez que muitos meninos e meninas precisam prover sua família, enquanto uma minoria da população tem contato com o ensino amplo.
Dessa forma, é responsabilidade da sociedade civil organizada e do Estado a criação de estratégias que visem a superação do analfabetismo funcional. Convém, portanto, que o Ministério da Educação, instância máxima da administração dos aspectos educacionais, aumente parcerias com empresas que ofertam vagas para o “Meu Primeiro Emprego”, aumentando a disponibilidade de empregos e estabelecendo períodos de estudo em horários que não afetem a ação laboral. Isso pode ser feito mediante aulas de reforço aos finais de semana com o apoio das famílias para que haja o envolvimento da comunidade escolar e a superação do analfabetismo funcional. Assim, a Agenda 2030 será cumprida e as problemáticas de “Brasil Colônia” suavizadas.