Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 05/01/2021
No filme “Central do Brasil”, a protagonista Dora é uma professora que escreve cartas para analfabetos, que pagam pelos serviços da educadora. Ainda que ficcional, a situação exemplifica a indignidade enfrentada por aqueles que não sabem ler ou escrever apropriadamente, caso dos indivíduos classificados como analfabetos funcionais. Em vista disso, é necessário discutir o analfabetismo funcional no Brasil a fim de resolvê-lo.
Inicialmente, convém destacar que a problemática do analfabetismo funcional está intimamente ligada às questões de renda. Segundo o estudo “Mapa do Analfabetismo no Brasil”, desenvolvido em 2010, os índices de analfabetismo são 20 vezes maiores entre pessoas pobres, dado que ratifica a falha do Estado em garantir uma educação básica pública de qualidade, ao passo que potencializa a manutenção das discrepâncias sociais. Assim, com a falta de infraestrutura e materiais de estudo adequados, os óbices enfrentados pela alfabetização nas escolas mostram-se consequência da indiligência do Estado, assim como do sucateamento da rede pública de ensino, tratada com desleixo justamente por ser permeada majoritariamente pela parcela carente da população.
Outrossim, posto que o analfabetismo funcional é mais presente nos núcleos sociais de renda baixa e ciclicamente também é responsável por renovar tal conjuntura, a condição de analfabeto funcional atribui aos indivíduos que a comportam um status de inferioridade e marginalização. Em seus estudos, o educador Paulo Freire afirmou que o analfabetismo é uma proibição imposta às classes populares; dentro desse pensamento, é possível afirmar que a alfabetização é, para além de sua definição usual, uma asseguração de dignidade e cidadania. Desse modo, ao não terem acesso ao letramento eficiente e consequentemente serem bestializados pela sociedade, os analfabetos funcionais são desconsiderados como indivíduos e têm sua integridade violada.
Portanto, diante das problemáticas expostas, depreende-se a urgência de uma ação do Estado em conjunto com o Ministério da Educação, mediante a elaboração de um projeto de alfabetização que, por meio de materiais adequados e aulas lúdicas, promoveria o letramento nas redes de ensino básico públicas e privadas, visando não apenas garantir o entendimento de leitura e escrita, como também fomentar o pensamento crítico e a interpretação textual. Ademais, a extensão do projeto para outros alunos com defasagem na alfabetização e a abertura para a comunidade, permitindo a participação independente de gênero, escolaridade e faixa etária, trariam um enfrentamento amplo ao problema. Destarte, a alfabetização é garantida para todos no Brasil, propiciando a erradicação da mazela do analfabetismo funcional.