Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 08/12/2020

De acordo com a Constituição federal de 1988, a educação é um direito de todos é um dever do estado da família. Todavia, observa-se, no atual contexto brasileiro, um desrespeito a tal garantia nacional, haja vista a grande quantidade de indivíduos analfabetos funcionais - pessoas conhecedoras do alfabeto e dos números, mas que não conseguem compreender textos e operações matemáticas - no país. Por isso, são imprescindíveis medidas governamentais e escolares para que se enfrente adequadamente a evasão escolar, a qual é estimulada pelas formas de ensino desanimadoras de várias escolas, e a falta de incentivo à literacia familiar.

Nesse contexto, cabe ressaltar que as metodologias educacionais desestimulantes de muitas instituições estão entre as principais causas dessa problemática. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia da autonomia”, os professores devem incitar os estudantes a desenvolver autonomia na aprendizagem para terem maior criticidade e entendimento da realidade em qual estão inseridos. No entanto, vê-se que grande parte dos centros de ensino nacionais priorizam uma transmissão massiva de conteúdos, muitas vezes escassos em aplicabilidade cotidiana, com o fito de atingir aprovações em vestibulares e avaliações. Dessa forma, muitos jovens e crianças sentem-se desanimados e acabam por abandonar o colégio e possibilitando assim o aumento do analfabetismo, a julgar pela formação acadêmica precária.

Cabe destacar, ainda, outro fator responsável pelo elevado número de iletrados na sociedade: o parco encorajamento à leitura no âmbito familiar. Acerca disso, conforme o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as relações interpessoais na sociedade atual são dotadas de rapidez e superficialidade. Nesse viés, percebe-se que esse pensamento vai de encontro à prática de letramento no seio doméstico, pois essas atividades exigem muita interação e tempo entre filhos e os pais, os quais muitas vezes não dispõem desses fatores devido às atividades profissionais e financeiras exercidas por estes. Desse modo, o público infanto-juvenil não tem seu direito constitucional garantido por conta da ínfima participação dos responsáveis.

Portanto, as Secretarias de Educação, em parceria com as instituições de ensino, devem promover mudanças nos projetos político-pedagógicos - baseados mas necessidades e dificuldades dos alunos - além de induzir uma maior participação dos familiares na instrução dos discentes, por meio de reuniões de pais, mestres e alunos. Essas reuniões devem ter a participação de psicólogos e orientadores educacionais a fim de promover uma educação de qualidade e baseada na autonomia  do estudante como previa Feire e reduzir, por conseguinte, o analfabetismo funcional no Brasil.