Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 11/12/2020

Para o polonês Zygmunt Bauman, quando uma entidade perde sua função social, torna-se uma ‘’Instituição Zumbi’’. Nesse contexto, é possível afirmar que as escolas brasileiras enquadram-se na definição do filósofo, uma vez que é crescente a taxa de analfabetismo funcional. Tal problemática está atrelada a evasão escolar e acentua a desigualdade social presente no país. Apesar de custoso, ainda assim, faz-se necessária medidas para atenuar a situação.

Primeiramente, é válido observar que para encontrar maneiras de diminuir a problemática, é essencial combater o abandono escolar. Isso porque, a escola é o principal centro de formação educacional, e devido a inúmeros fatores - como imposição laboral, gradez ou desconectividade com os conteúdos - há a evasão escolar. Nesse sentido, dados do IBGE demonstram que 8,8% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola, fato grave, já que o processo de aprendizado é interrompido e assim, o analfabetismo funcional torna-se fruto de um sistema Zumbi, como defendia Zygmunt Bauman.

Em decorrência disso, é viável analisar que a ineficiência governamental sobre a temática corrobora com as discrepâncias sociais. Consoante defendia o filósofo grego Aristóteles, é preciso educar as crianças para não castigar os homens. Nessa perspectiva, ao negar educação de qualidade - direito previsto constitucionalmente - o Estado pune os brasileiros ao deixá-los expostos a não compreensão total da língua portuguesa, o que implica em restrição de oportunidade empregatício, visto que a ascensão social é mais provável por meios educacionais. Dessa forma, ao ser compassivo com um ensino ausente ou de má qualidade o Governo é conivente com a estratificação social.

Portanto, diante das principais causas e consequências do analfabetismo funcional, urge ações para mitigá-lo. Para isso, cabe ao Ministério da Educação em parceria com as escolas de ensino médio, a reformulação da grade educacional, com vistas a tornar as instituições mais atrativas - para evitar, por exemplo, o baixo aproveitamento e o abandono dos estudos - por meio da modernização das matérias e estruturas, aproximando-as da realidade do estudante. Assim, será capaz melhorar a qualidade de ensino e, por conseguinte, amenizar o analfabetismo.