Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 12/12/2020
A chegada da família real portuguesa no Brasil, em 1808, trouxe uma série de mudanças na estrutura do país. Entre elas, cabe destacar a construção de faculdades de ótima qualidade de ensino. Porém, apenas o público de alto poder aquisitivo possuía acesso a elas, o que deixou a outra parcela da população excluída e sem alcance à educação. Com isso, o número de analfabetos cresceu, sendo observável até hoje, no Brasil do século XXI. Dessa forma, é possível apontar as desigualdades sociais como causa dessa problemática e o aumento da desinformação como consequência direta.
A princípio, cabe destacar as disparidades econômicas presentes no país. De acordo com o último relatório da ONU, o coeficiente Gini do Brasil (dado responsável por medir as diferenças de renda dos habitantes) é de 0,53, o que o coloca como o 10° país mais desigual do mundo. Sob essa perspectiva, é natural que tal fato traga reflexos no nível de escolarização dos indivíduos, uma vez que a renda é um fator decisivo para obter uma boa qualidade de estudos. Além disso, o público mais carente, como trabalhadores rurais, possuem outras prioridades como sustentar e garantir o alimento da família, o que faz com que os estudos fiquem em segundo plano. Portanto, se não houver incentivo direcionado a essa parcela da população, a situação se agravará.
Por conseguinte, os analfabetos acabam possuindo uma visão limitada da realidade, haja vista que possuem acesso a pouca informação. Segundo o escritor Franz Kafka, a leitura deve ser como um machado que quebra o mar gelado que existe nas pessoas, ou seja, a leitura promove empatia e reflexão acerca das realidades alheias à do leitor. Nesse contexto, o indivíduo que não possui acesso ao hábito, tende a viver alienado em sua própria existência, sem se dar conta do outro. Nesse âmbito, um exemplo que pode ser citado é o livro “Vidas Secas”, do autor Graciliano Ramos, que permite a aproximação do drama vivido por Fabiano e sua família, e sensibiliza o leitor a respeito da realidade no sertão nordestino. Logo, é perceptível que essa parcela da população é mais suscetível à desinformação.
Desse modo, é evidente que é preciso encontrar meios para resolver a questão do analfabetismo no Brasil. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação incentive o hábito de estudar para os cidadãos de baixa renda, por meio de bolsas escolares. Ademais, as escolas devem ficar abertas nos finais de semana para receber e educar o público de mais idade também, que trabalham durante a semana. Assim, a fim de sanar o problema, espera-se que o maior número de pessoas tenham acesso à alfabetização.