Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 11/09/2021
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os cidadãos o direito à educação. No entanto, na conjutura contemporânea, nota-se que essa prerrogativa não é totalmente efetiva na prática, em virtude do analfabetismo funcional, o qual expõe o déficit educacional .Nesse contexto, urge analisar como a negligência estatal e a falta de participação familiar impulsionam tal problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que a persistência do analfabetismo funcional no Brasil está intrinsecamente relacionada à inobservância estatal. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, teórico contratualista, o Estado é responsável por assegurar o bem-estar social de uma comunidade. Entretanto, a máquina administrativa rompe a tese de Hobbes, uma vez que os investimentos direcionados à educação são mínimos. Nessa perspectiva, o ensino ofertado nas escolas não prepara os discentes adequadamente para desenvolverem competências básicas, como interpretar textos simples, haja vista que essas instituições, em sua maioria, se preocupam apenas com conteúdos voltados para os vestibulares. Desse modo, a inoperância governamental em reverter esse quadro propicia a manutenção de indivíduos analfabetos funcionais no âmbito social.
Outrossim, vale salientar que a falta de participação familiar dificulta o processo de aprendizagem dos filhos. De acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, aproximadamente 47,8% dos estudantes afirmam que os pais não participam ativamente das atividades escolares. Nesse viés, esse dado fomenta o analfabetismo funcional, posto que a atuação dos pais na educação dos filhos é de extrema importância. Nesse sentido, milhares de famílias possuem a concepção de que apenas as instituições de ensino são responsáveis por desenvolver nos filhos aspectos educacionais, como realizar cálculos matemáticos mais complexos. Dessa forma, a falta de incentivo dos pais dificulta a superação do analfabetismo funcional.
Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para combater o analfabetismo funcional no cenário nacional. Logo, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela formação civil - desenvolver nas escolas semanalmente, desde as séries iniciais, oficinas educativas de aperfeiçoamento de leitura e cálculos matemáticos, visto que milhares de alunos possuem níveis de proficiência baixo nessas áreas. Isso deve ser feito por meio de recursos liberados pelo Tribunal de Contas da União, a fim de desenvolver habilidades cognitivas nos discentes e, concomitantemente, melhorar o ensino público no Brasil. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.